Internacional

EUA confirmam tarifa de até 12,5% sobre Brasil e outros parceiros comerciais

23 jul 2026, 18:34 - atualizado em 23 jul 2026, 19:46
donald trump
(Imagem: REUTERS/Nathan Howard)

Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) a aplicação de uma tarifa adicional de até 12,5% sobre importações do Brasil e de outras economias investigadas por falhas na proibição e fiscalização da entrada de produtos fabricados com trabalho forçado, justamente quando uma tarifa global temporária de 10% chega ao fim.

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A medida é a mais recente iniciativa da Casa Branca para restaurar a visão de campanha do presidente Donald Trump de uma tarifa quase global, depois que a Suprema Corte dos EUA, em fevereiro, derrubou suas tarifas “recíprocas” de 10% a 50% impostas no ano passado sob uma lei de emergência nacional para tentar reduzir o déficit comercial dos EUA.

Trump respondeu à decisão impondo uma tarifa temporária de 10% por 150 dias, que expira às 00h01 (horário da costa leste dos EUA) de sexta-feira (1h01 no horário de Brasília), invocando a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, legislação destinada a conter crises na balança de pagamentos.

As novas tarifas entrarão em vigor exatamente nesse mesmo momento, com isenção para mercadorias em trânsito até às 00h01 do dia 28 de julho. A medida agora tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Segundo o USTR, as investigações concluíram que as práticas dos 60 países e economias analisados relacionadas ao combate ao trabalho forçado representam uma prática comercial considerada desleal e que restringe o comércio americano.

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O USTR estabeleceu três faixas de tarifas. Países que já adotam ou se comprometeram a implementar proibições à importação de produtos feitos com trabalho forçado, como Argentina, Canadá, México, Índia e Reino Unido, estarão sujeitos a uma tarifa de 10%. Determinados produtos da União Europeia, Japão, Coreia do Sul, Taiwan e Suíça pagarão 10% ou 12,5%, conforme o caso. As demais economias investigadas, entre elas o Brasil, terão tarifa de 12,5%.

As novas tarifas isentarão petróleo e gás e certos recursos naturais, bem como bens já abrangidos pelo Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) ou pelas tarifas relacionadas à segurança nacional que Trump impôs sobre carros, aço e outros produtos.

A tarifa faz parte de uma estratégia mais ampla da Casa Branca para reformular a política comercial dos Estados Unidos. Para sustentar juridicamente novas barreiras, o governo Trump tem aberto diferentes investigações comerciais. Além da apuração sobre trabalho forçado, outra investigação avalia se determinados parceiros comerciais mantêm excesso de capacidade industrial que possa prejudicar a indústria americana.

As investigações foram abertas em março deste ano e incluíram audiências públicas, consultas com governos estrangeiros e a análise de milhares de manifestações antes da decisão final anunciada nesta quinta-feira.

Brasil anuncia reação na OMC

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O governo brasileiro classificou como “arbitrária e injustificada” a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros após a investigação da Seção 301 sobre trabalho forçado.

Em nota, afirmou que o país cumpre compromissos internacionais no combate à prática e apresentou informações às autoridades americanas durante a investigação.

Como resposta, o Brasil informou que acionará a Lei de Reciprocidade e levará o caso ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

*Com Reuters e Estadão Conteúdo

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Editor
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com MBA em finanças. Colaborou com revista Veja, Estadão, entre outros.
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com MBA em finanças. Colaborou com revista Veja, Estadão, entre outros.

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