Braskem (BRKM5) está por trás de aumento de R$ 3,6 bilhões na inadimplência do Banco do Brasil (BBAS3)
Após indicar, em seu resultado trimestral, que a alta da inadimplência foi impactada por um “caso específico” de R$ 3,6 bilhões na carteira de títulos e valores mobiliários (TVM) com características de crédito, o Banco do Brasil (BBAS3) teve a exposição atribuída à Braskem (BRKM5), segundo fonte com conhecimento direto do assunto disse ao Money Times.
De acordo com a apresentação do banco, o indicador de inadimplência acima de 90 dias teria sido elevado por um evento pontual envolvendo uma empresa do segmento Atacado. O índice seria de 4,88% sem o caso específico; com o impacto, alcançou 5,17%.
A exposição não estaria na carteira tradicional de crédito, mas sim em instrumentos classificados como títulos de valores mobiliários (TVM) — papéis que, embora contabilmente tratados como títulos, possuem natureza econômica semelhante a operações de financiamento.
Durante entrevista com jornalistas, o vice-presidente de controles internos do BB, Felipe Prince, afirmou que a dívida foi repassada a um fundo que compra créditos de maior risco e que não trará novos impactos ao banco. A inadimplência, segundo ele, foi registrada unicamente durante a negociação.
A Braskem vive um momento de pressões financeiras significativas e é público que renegocia suas dívidas. A petroquímica enfrenta uma estrutura de capital altamente alavancada, com dívida bruta de vários bilhões de dólares e um ciclo prolongado de spreads comprimidos no setor petroquímico, que reduz margens e geração de caixa operacional.
No final do terceiro trimestre de 2025, a dívida bruta consolidada da petroquímica era de US$ 10,1 bilhões.
O quadro tem levado a empresa a negociar com credores e preparar um plano de recuperação extrajudicial, com o objetivo de apresentar propostas até março de 2026, em meio à transição de controle acionário que envolve a gestora IG4 Capital e a Novonor.
Procurados, Braskem e Banco do Brasil não quiseram se posicionar oficialmente.