Banco do Brasil (BBAS3): Novonor, em meio à venda de fatia na Braskem (BRKM5), está por trás de aumento de R$ 3,6 bilhões na inadimplência
*MATÉRIA ATUALIZADA ÀS 20H42
Após indicar, em seu resultado trimestral, que a alta da inadimplência foi impactada por um “caso específico” de R$ 3,6 bilhões na carteira de títulos e valores mobiliários (TVM) com características de crédito, o Banco do Brasil (BBAS3) teve a exposição atribuída a Novonor, antiga controladora da Braskem (BRKM5), em meio à negociação de venda da fatia na petroquímica.
Inicialmente, foi noticiado (inclusive pelo Money Times) que a dívida seria da Braskem em si. Posteriormente, porém, outra fonte a par do assunto sinalizou que a dívida em questão, que apareceu no balanço do BB, seria da Novonor e não da Braskem.
De acordo com a apresentação do banco, o indicador de inadimplência acima de 90 dias teria sido elevado por um evento pontual envolvendo uma empresa do segmento Atacado. O índice seria de 4,88% sem o caso específico; com o impacto, alcançou 5,17%.
A exposição não estaria na carteira tradicional de crédito, mas sim em instrumentos classificados como títulos de valores mobiliários (TVM) — papéis que, embora contabilmente tratados como títulos, possuem natureza econômica semelhante a operações de financiamento.
Durante entrevista com jornalistas, o vice-presidente de controles internos do BB, Felipe Prince, afirmou que a dívida foi repassada a um fundo que compra créditos de maior risco e que não trará novos impactos ao banco. A inadimplência, segundo ele, foi registrada unicamente durante a negociação.
A Novonor, antiga controladora da petroquímica, está em recuperação judicial e vendeu, no fim do ano passado, a maior parte da sua fatia na Braskem para a IG4, gestora especializada em special situations, o que corrobora a explicação de Prince.
A Braskem também vive um momento de pressões financeiras significativas e é público que renegocia suas dívidas. A petroquímica enfrenta uma estrutura de capital altamente alavancada, com dívida bruta de vários bilhões de dólares e um ciclo prolongado de spreads comprimidos no setor petroquímico, que reduz margens e geração de caixa operacional.
No final do terceiro trimestre de 2025, a dívida bruta consolidada da petroquímica era de US$ 10,1 bilhões.
O quadro tem levado a empresa a negociar com credores e preparar um plano de recuperação extrajudicial, com o objetivo de apresentar propostas até março de 2026, em meio à transição de controle acionário.
Após o fechamento do mercado, a Braskem soltou um comunicado ao mercado:
– A Braskem, em função de notícias veiculadas na mídia a respeito de um suposto inadimplemento, pela companhia, de obrigações junto ao Banco do Brasil ocorrido no último trimestre de 2025, esclarece que não possui, ou possuía em 2025, exposição financeira material junto ao Banco do Brasil e que está adimplente com as obrigações financeiras mantidas com tal instituição financeira, não tendo ocorrido qualquer inadimplemento no referido período de 2025.