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Facebook incentivou bancos centrais a estudar moedas digitais, afirma ex-executivo do BoJ

22/01/2020 - 11:55
BoJ Japão
Apesar de o BoJ ter iniciado um projeto de pesquisa em conjunto com o Banco Central Europeu, não tem planos emitir moedas digitais no curto prazo (Imagem: Reuters/Kim Kyung-Hoon)

O desafio imposto pela criptomoeda libra, do Facebook, provavelmente levou os principais bancos centrais a criar um novo grupo para estudar o potencial de emissão de suas próprias moedas digitais, disse um ex-executivo do Banco do Japão (BoJ) nesta quarta-feira.

Os bancos centrais do Reino Unido, Zona do Euro, Japão, Canadá, Suécia e Suíça anunciaram na terça-feira um plano para compartilhar experiências para analisar a possibilidade de emissão de moedas digitais, em meio a um crescente debate sobre o futuro do dinheiro.

Hiromi Yamaoka, ex-chefe da divisão do BoJ que supervisiona os sistemas de pagamento e liquidação, disse que a decisão é um sinal de como a libra desencadeou uma competição global entre os bancos centrais para tornar suas moedas mais atraentes.

“A decisão mais recente (pelos seis bancos centrais) não é apenas para compartilhar informações. Também é um esforço para manter algo como a libra sob controle”, disse Yamaoka que, durante sua passagem pelo BoJ, estava diretamente encarregado das negociações sobre novas tecnologias.

libra facebook
Os bancos centrais do Reino Unido, Zona do Euro, Japão, Canadá, Suécia e Suíça anunciaram na terça-feira um plano para compartilhar experiências sobre moedas digitais (Imagem: Reuters/Dado Ruvic)

Os bancos centrais de todo o mundo aceleraram o ritmo em que pretendem emitir suas próprias moedas digitais, também conhecidas como CBDCs. O impulso do Facebook para lançar a libra aumentou o debate sobre se os países continuarão controlando o dinheiro nas próximas décadas.

Dos principais bancos centrais, a China emergiu como pioneira na tentativa de criar sua própria moeda digital, embora os detalhes de seu projeto ainda sejam escassos.

O BoJ iniciou um projeto de pesquisa em conjunto com o Banco Central Europeu, mas afirmou que não tem planos de emitir moedas digitais no curto prazo.

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O fator mais iminente que leva os bancos centrais a estudarem os CBDCs é a necessidade de aumentar a conveniência de suas moedas para que eles sobrevivam em uma era de diversificação dos meios de liquidação, disse ele.

É por isso que o Federal Reserve, que emite a moeda mais usada no mundo, não está interessado nos CBDCs, disse Yamaoka.

“Se você deseja tornar a política monetária eficaz, precisa garantir que as pessoas continuem usando a moeda que você emite.”

Última atualização por Lucas Simões - 22/01/2020 - 11:57