FGC deve desembolsar R$ 4,9 bilhões após liquidação do Banco Pleno, ligado a ex-sócio do Master
Com a liquidação do Banco Pleno, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) estima o desembolso de R$ 4,9 bilhões em pagamento de garantias, tendo em vista uma base estimada de 160 mil credores com depósitos elegíveis.
A instituição financeira, ligada ao Banco Master, teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central (BC) nesta quarta-feira (18). Conforme o funcionamento do FGC, os pagamentos terão início após a conclusão e disponibilização do levantamento de dados dos credores.
A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações, conforme nota do BC.
O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis.
Ligação com o Master
O Banco Pleno já foi conhecido como Banco Voiter e tem ligação com o Master. De acordo com o site da instituição, ele nasceu em 2019 “a partir do inconformismo ao perceber que o mercado demandava um banco com uma visão moderna e consultiva”.
Antes da liquidação do conglomerado Master, o Pleno foi vendido a Augusto Lima, empresário que foi sócio do banqueiro Daniel Vorcaro no Master. Lima chegou a ser preso no mesmo dia em que Vorcaro foi detido e é investigado no mesmo inquérito.
Após a liquidação do Master, em novembro de 2025, o Pleno assumiu a liderança do ranking de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) mais rentáveis do país em janeiro.
Apesar disso, por não compor o mesmo conglomerado, os valores a receber não se somam ao Master no limite de R$ 250 mil por instituição (com ocorreu com o Will Bank). Contudo, credores devem se atentar à janela de R$ 1 milhão a cada quatro anos prevista nas regras do Fundo.
“O Banco Pleno não faz parte do conglomerado Master, assim o liquidante irá apurar a garantia até o limite da regulamentação”, conforme o FGC.
O que já pode ser feito
Enquanto o Fundo passa pelo processo de receber a relação dos beneficiários e devidos valores, os credores já podem realizar o cadastro básico no aplicativo do FGC. A partir disso, as etapas são as seguintes:
- Após receber a base de dados, o FGC informa aos credores que o sistema está disponível para solicitação da garantia;
- O credor precisa manifestar interesse;
- Pessoas físicas (CPF) solicitam a garantia pelo aplicativo do FGC, enquanto pessoas jurídicas (CNPJ) realizam o processo por meio do site do FGC;
Nesse período inicial, depositantes e investidores podem realizar o cadastro básico no aplicativo do FGC e aguardar as notificações sobre as próximas etapas.
O FGC garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, para o total de depósitos e créditos contemplados nele em cada instituição ou conglomerado prudencial associado. Além disso, há um teto de R$ 1 milhão por período de quatro anos, no caso de quebra de mais de uma instituição no mesmo período.
Os instrumentos garantidos incluem, entre outros, conta corrente, poupança, Certificado de Depósito Bancário (CDB), Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), conforme regulamento.
*Com informações da Reuters e do Seu Dinheiro