Empresas

Fictor Alimentos (FICT3) desaba 40% na B3: Mercado não acredita que a empresa ficará de fora da RJ da holding?

02 fev 2026, 18:49 - atualizado em 02 fev 2026, 18:49

A Fictor Alimentos (FICT3) enfrentou um dia de forte queda na bolsa nesta segunda-feira, após sua holding controladora protocolar um pedido de recuperação judicial (RJ) no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). As ações da subsidiária recuaram quase 40% na B3, sendo negociadas abaixo de R$ 1 pela primeira vez.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A reação negativa ocorreu apesar de a empresa-mãe, a Fictor Holding, afirmar que o braço de alimentos não deve ser incluído no processo de recuperação judicial.

No pedido apresentado à Justiça, o grupo argumenta que a Fictor Alimentos possui geração recorrente de receitas, estrutura financeira reforçada por um recente aumento de capital e ausência de endividamento bancário relevante — fatores que, segundo a holding, afastariam a necessidade de proteção judicial para a subsidiária.

A legislação brasileira permite que empresas de um mesmo grupo econômico sejam tratadas de forma distinta em processos de recuperação judicial, desde que possuam CNPJs próprios e autonomia operacional. Ainda assim, a leitura predominante entre investidores foi de cautela, diante de incertezas sobre a efetiva separação entre as companhias.

O que a Fictor Holding argumenta

De acordo com o documento protocolado, a Fictor Alimentos é o principal braço operacional do grupo e sua maior fonte de geração de receitas. A holding sustenta que a inclusão da subsidiária no processo de recuperação judicial poderia enfraquecer justamente a empresa com maior capacidade de contribuir para o reequilíbrio financeiro do grupo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A empresa-mãe também destaca que a Fictor Alimentos teve sua estrutura financeira reforçada recentemente por meio de um aumento de capital de R$ 70 milhões, não possui endividamento bancário relevante e mantém estrutura societária e operacional própria, com administração, contratos e fornecedores independentes.

Além disso, a holding afirma que a eventual inclusão da subsidiária na recuperação judicial poderia provocar efeitos adversos sobre a operação, como revisão de contratos por fornecedores e clientes, endurecimento de condições comerciais e exigência de pagamentos à vista, com impactos sobre a logística e a continuidade da produção.

Por que investidores ainda veem riscos para a Fictor Alimentos

Apesar dos argumentos apresentados pela holding, fontes ouvidas pelo Seu Dinheiro avaliam que a separação entre a Fictor Alimentos e a controladora pode ser mais complexa na prática.

Segundo essas fontes, um dos pontos de atenção é a possibilidade de o Judiciário, ao longo da análise do pedido, avaliar de forma mais ampla a capacidade financeira do grupo como um todo. Nesse contexto, não se descarta que o juiz responsável venha a considerar a inclusão de outras empresas do conglomerado, caso entenda que isso seja necessário para viabilizar um eventual plano de recuperação.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Existe a possibilidade de o juiz determinar a inclusão de outras empresas do grupo, como esse braço de alimentos, caso entenda que isso amplia a capacidade de pagamento da holding”, afirma Marcos Poliszezuk, sócio-fundador do Poliszezuk Advogados.

Esse risco, no entanto, ainda é difícil de mensurar. O pedido de recuperação judicial sequer foi deferido até o momento, e não há definição sobre a viabilidade do plano de pagamento nem sobre como o Judiciário avaliará a situação financeira do grupo.

Outro fator observado por investidores é a proximidade financeira construída entre a subsidiária e a holding nos últimos meses. Em agosto do ano passado, por exemplo, a Fictor Alimentos realizou um aumento de capital de R$ 70 milhões, do qual cerca de 85% — aproximadamente R$ 60 milhões — foram subscritos pela própria controladora.

Na avaliação de fontes de mercado, esse movimento reforçou a dependência financeira da subsidiária em relação à holding e levantou questionamentos sobre o grau de autonomia operacional e financeira da empresa — um ponto sensível quando se discute sua exclusão de um processo de recuperação judicial.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Há também a percepção de que, no estágio atual, a Fictor Alimentos ainda depende do suporte da controladora para sustentar sua estratégia de crescimento e garantir a continuidade dos negócios, seja por meio de aportes financeiros, seja pela sustentação da estrutura operacional.

Essa proximidade se reflete também na governança. Atualmente, após uma série de renúncias, o presidente do Conselho de Administração e diretor-presidente interino da Fictor Alimentos é Rafael Ribeiro Leite de Góis, que também é sócio-fundador e CEO do grupo.

Na leitura de investidores, essa sobreposição de funções pode reforçar a percepção de alinhamento entre as decisões estratégicas da holding e da subsidiária — um fator que tende a ser considerado em análises sobre a separação efetiva das companhias.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Por dentro dos mercados

Receba gratuitamente as newsletters do Money Times

OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar