Recuperação Judicial

Fictor teve saques de 70% de recursos após tentar comprar Master e decisão do BC, diz advogado

03 fev 2026, 13:35 - atualizado em 03 fev 2026, 13:03

O Grupo Fictor justificou seu pedido de recuperação judicial (RJ) feito no domingo, 1º de fevereiro, como uma consequência de uma crise de liquidez que se iniciou após a empresa anunciar uma proposta de compra do Banco Master, em conjunto com fundos dos Emirados Árabes Unidos não identificados.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No dia seguinte ao anúncio da oferta, 18 de novembro, o Banco Central (BC) decretou a liquidação do Master, estendendo para a Fictor a crise de confiança na qual o banco já se encontrava.

Com isso, desde essa data, os clientes do grupo pediram a retirada de 70% dos recursos que estavam investidos, quase R$ 2 bilhões, segundo o advogado da Fictor que coordena o processo de Recuperação Judicial (RJ), Carlos Deneszczuk, do escritório DASA Advogados.

O grupo protocolou o pedido de recuperação judicial para as empresas Fictor Holding e Fictor Invest. O valor total da dívida é de mais de R$ 4 bilhões. A empresa informou que pretende pagar as dívidas sem descontos. A proposta deve incluir um limite de até cinco anos para os reembolsos.

A Fictor captava recursos e montava Sociedades em Conta de Participação (SCP) para investir em negócios e empresas, e a crise de liquidez teria afetado os pagamentos de dividendos aos sócios desses arranjos, segundo o advogado. Não há cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para esses investimentos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“A ideia da empresa é não prejudicar os credores. Até novembro, não havia ocorrido nenhum problema de pagamentos”, disse Deneszczuk.

A expectativa é que a recuperação judicial seja deferida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) em uma semana, se as coisas correrem de acordo com o plano do grupo.

A reestruturação teria sido um pedido de um investidor internacional, chamado Royal Capital, e que seria um dos participantes do consórcio que compraria, junto com a Fictor, o Banco Master.

TJ-SP determinou bloqueio antes da recuperação judicial

Na semana passada, a desembargadora Maria Lúcia Pizzotti, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), havia determinado o bloqueio cautelar de R$ 150 milhões da Fictor.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A decisão da magistrada, integrante da 30.ª Câmara de Direito Privado do TJ-SP, determinou o bloqueio dos ativos financeiros da empresa para preservar uma garantia em dinheiro, no valor de R$ 150 milhões, prevista em contrato de uma operação de cartões de crédito empresariais, com a Orbitall, empresa que faz o processamento de pagamentos dos cartões da American Express.

A medida foi tomada após a apresentação de um recurso, revertendo um entendimento anterior que havia negado o bloqueio.

Em 2024, o grupo Fictor resolveu entrar na área de pagamentos, criando a Fictor Pay, que inicialmente era uma subadquirente – empresa que oferece maquininhas de cartão e serviços de tecnologia para pagamentos. No ano seguinte, foi lançado um cartão de crédito com a bandeira American Express, voltado para pessoas jurídicas.

O pedido de recuperação judicial informa que o cartão chegou a movimentar R$ 200 milhões por mês. O plano também era ter um cartão para pessoa física. A Fictor Pay opera em nove Estados, com 500 clientes, e já movimentou em seus terminais R$ 2,2 bilhões.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Por dentro dos mercados

Receba gratuitamente as newsletters do Money Times

OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar