Política

Filme de Bolsonaro virou ‘comédia de erros’ que ameaça candidatura de Flávio, diz jornal Financial Times

25 maio 2026, 16:54 - atualizado em 25 maio 2026, 16:54
Cena de 'Dark Horse' com Jim Caviezel no papel de Jair Bolsonaro (Divulgação/Instagram Flávio Bolsonaro)

O jornal britânico Financial Times publicou nesta segunda-feira (25) reportagem em que afirma que o filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória política do ex-presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), pode “afundar” a pré-candidatura presidencial de seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

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Segundo o periódico, a produção virou uma espécie de “comédia de erros” antes mesmo da estreia, após as revelações de que Flávio buscou financiamento para o longa com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso e alvo de investigações pela fraude bilionária da instituição. Ele aparece em áudio cobrando repasses de Vorcaro para a realização da obra audiovisual.

Na análise do Financial Times, a controvérsia em torno do financiamento do projeto levanta dúvidas sobre a viabilidade eleitoral de Flávio, “ungido” como sucessor político do pai depois da condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe após as eleições de 2022.

“A revelação colocou o principal desafiante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no centro de um amplo escândalo político que abalou Brasília, ameaçando a candidatura do senador de 45 anos nas eleições presidenciais de outubro”, diz o jornal, acrescentando que Flávio vai “buscar no pai inspiração para sua própria sobrevivência política”.

Segundo revelações do portal Intercept Brasil, R$ 61 milhões de cerca de R$ 134 milhões acertados entre Flávio e Daniel Vorcaro para o longa foram enviados entre fevereiro e maio de 2025.

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O Financial Times aponta que a soma supera com folga o de produções brasileiras recentes de grande porte, como O Agente Secreto, que representou o País na última edição do Oscar e custou cerca de R$ 27 milhões.

“Já os apoiadores da cinebiografia de Bolsonaro, dirigida pelo cineasta americano Cyrus Nowrasteh, argumentam que o valor não é elevado para os padrões de Hollywood”, diz a publicação, que define o longa como “mistura thriller e conspiração” que narra a chegada do “Trump dos Trópicos”, como Bolsonaro era chamado, ao poder em 2018.

O Financial Times cita que a conexão com Vorcaro não é a primeira controvérsia da produção do filme, que contou com denúncias a sindicatos sobre condições de trabalho no set de filmagem e o uso não autorizado de uma música da cantora Beyoncé.

Apesar do desgaste provocado pelo caso, aliados do ex-presidente e de Flávio avaliaram à reportagem que “Dark Horse”, que tem o ator americano Jim Caviezel no papel de Jair Bolsonaro, pode alcançar repercussão tanto no Brasil quanto no exterior.

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O ex-estrategista da Casa Branca Steve Bannon declarou ao jornal que pretende ajudar na divulgação do filme nos EUA e acredita que a participação de Caviezel, ligado ao movimento conservador Maga (Make America Great Again), pode aumentar o interesse na obra.

“Se você está no Brasil e descobre que existe um filme sobre o seu ex-presidente, estrelado por uma grande estrela de Hollywood, esse tipo de coisa multiplica o alcance do investimento. É melhor do que fazer comerciais de 30 segundos na TV”, disse.

De acordo com versão de um roteiro que veio à público, o filme traz temas religiosos voltados à base cristã conservadora dos Bolsonaro, mensagens anti-establishment, uma representação gráfica da facada sofrida pelo ex-presidente durante a campanha de 2018 e elementos ficcionais.

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Estadão Conteúdo é uma agência de notícias que pertence ao grupo O Estado de S. Paulo e fornece notícias, análises, colunas e cotações, entre outros conteúdos, para veículos de imprensa de todo o Brasil.
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