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Fitch rebaixa GPA (PCAR3) para ‘CCC(bra)’ e vê risco elevado de reestruturação

02 mar 2026, 19:10 - atualizado em 02 mar 2026, 19:14
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(Imagem: Renan Dantas/Money Times)

A Fitch Ratings revisou sua recomendação de crédito para o GPA (PCAR3) em relatório divulgado na noite desta segunda-feira (2). A casa retirou sua observação negativa e rebaixou o rating nacional de longo prazo da varejista para ‘CCC(bra)’, de ‘A(bra)’, citando risco elevado de refinanciamento, liquidez pressionada e geração de caixa estruturalmente negativa.

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O corte para a faixa de alto risco ocorre em meio a um cronograma apertado de vencimentos. Segundo a agência, há cerca de R$ 1,7 bilhão em dívidas a vencer entre maio e julho de 2026 — um volume que, na visão da Fitch, não é compatível com o perfil financeiro atual da companhia.

Em relatório, o time, liderado pelo analista Renato Donatti, afirma que “o rebaixamento reflete os maiores riscos de refinanciamento do GPA, o enfraquecimento da liquidez e a expectativa de fluxos de caixa livre negativos a médio prazo, na ausência de uma redução material do endividamento”.

A agência vai além e reconhece que “uma reestruturação de dívidas é possível”, mas ressaltando que a disposição dos credores em estender prazos em condições adequadas de custo e prazo é “altamente incerta”.

Para a Fitch, o caixa de R$ 2 bilhões ao fim de 2025 deve ser consumido já no primeiro semestre de 2026 para pagamento de fornecedores e cobertura do fluxo de caixa livre negativo.

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GPA tem fluxo de caixa negativo e alavancagem elevada

A Fitch projeta fluxo de caixa livre (FCF) negativo equivalente a 2,8% da receita líquida em 2026 e a 1,6% em 2027, pressionado pelo elevado desembolso com juros e contingências trabalhistas e tributárias.

A equipe destaca que “a redução de despesas e investimentos ajuda a mitigar a queima de caixa, mas não é suficiente para restabelecer o fluxo de caixa de forma sustentável sem uma redução relevante da dívida”.

A agência estima Ebtidar (Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação, Amortização e Custos de Reestruturação, na sigla em inglês) de R$ 1,7 bilhão em 2026, com margem de 8,8%, e de R$ 1,8 bilhão em 2027, com margem de 9,1%. Ainda assim, em sua visão, a alavancagem deve permanecer elevada, com dívida ajustada/Ebitdar próxima de 4,8 vezes e dívida líquida ajustada/Ebitdar em torno de 4,3 vezes nos próximos dois anos.

Ao fim de 2025, a dívida ajustada somava R$ 9,1 bilhões, incluindo R$ 4,4 bilhões em obrigações de aluguel, conforme metodologia da agência.

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Nova estrutura societária e incertezas estratégicas

O relatório também menciona a mudança recente na base acionária, com a família Coelho Diniz assumindo 24,6% do capital e indicando metade do conselho de administração, enquanto o grupo francês Casino mantém 22,5%.

A Fitch afirma que tem “visibilidade limitada” sobre a estratégia de médio e longo prazo da companhia e sobre seu apetite a risco. No curto prazo, porém, considera positiva a revisão de investimentos e a racionalização de despesas anunciadas pela empresa.

O cenário operacional também pesa. A agência projeta crescimento de vendas mesmas lojas de 3,2% em 2026 e 2027, margem bruta ao redor de 27,5% e ausência de abertura de novas lojas nos próximos três anos.

Para a Fitch, o consumo alimentar deve seguir pressionado por renda comprimida, elevado endividamento das famílias e inflação acumulada de 30% desde 2021. O ambiente competitivo acirrado estimula o “trade down”, com consumidores migrando para produtos mais acessíveis.

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Sensibilidade do rating

A agência afirma que não projeta elevação do rating no curto prazo. Uma melhora dependeria de fortalecimento sustentável da liquidez, redução de alavancagem e geração de caixa positiva — possivelmente via venda de ativos, capitalização ou melhora operacional relevante.

Por outro lado, “os ratings serão novamente rebaixados caso seja iniciado um processo de inadimplência ou anunciada uma troca de dívida em situação crítica (distressed debt exchange)”, alerta o relatório.

Na comparação com pares, o rating do GPA fica vários graus abaixo do da Assaí (ASAI3), que tem AAA(bra) e do Grupo Oba, com a A-(bra). Isso reflete principalmente o risco de refinanciamento e a estrutura de capital mais alavancada.

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Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
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