Flávio Bolsonaro: ‘vózinha’ Teresa Cristina é o sonho de consumo, mas questão da vice vai ser muito mais para frente
Com uma camiseta com a frase “agro é top!” escrita no peito, o senador e pré-candidato a presidente da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez, na noite desta quinta (9), gestos de apoio ao agronegócio e a sua colega, a também senadora e ex-ministra Teresa Cristina (PP-MS).
O palco foi a Expogrande, em Campo Grande (MS), principal feira agropecuária de Mato Grosso do Sul. O estado é a base eleitoral da senadora, referência no setor e um dos nomes cotados para ser a candidata a vice de Flávio.
No breve discurso de 7 minutos, o pré-candidato a tratou Teresa Cristina como “a melhor ministra da Agricultura que esse país já teve”. Ela ocupou o cargo por pouco mais de três anos, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), condenado por tentativa de golpe após a derrota de 2022 para o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Então deputada federal, Teresa Cristina foi rejeitada à época como o nome a vice pelo próprio Bolsonaro, mas se candidatou e foi eleita ao Senado pelo União Brasil. Quatro anos depois, no PP, ela é cortejada pelo PL do filho de Jair para a campanha do filho Flávio na eleição presidencial.
Mas, segundo o próprio Flávio Bolsonaro, ainda é cedo para uma definição. “Teresa é o sonho de consumo de todo mundo, mas a questão de vice vai ser muito mais lá para frente“, disse o parlamentar a jornalistas. Ele lembrou que chama a senadora de “vózinha” pela semelhança que tem com sua avó materna, Aparecida.
“Eu até brinquei com ela, eu chamo ela de vózinha, porque ela é muito parecida com minha avó e é uma forma carinhosa de chamar uma das maiores referências no mundo do agro. Tivemos o privilégio de tê-la como ministra no governo Bolsonaro, mas, mais para frente, vamos pensar (na vaga de vice) com calma e não tem de antecipar nada. Fico muito feliz em tê-la como uma das possibilidades”, afirmou aos jornalistas.
Para uma plateia cuja maioria era ligada ao agronegócio, o discurso foi em linha com as falas do pai. Na fala, a garantia de segurança jurídica no campo, o fim do marco temporal para a demarcação de terras aos povos originários e a restrição a apenas cinco anos após a promulgação da Constituição Federal de 1988 e a defesa da propriedade privada com críticas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
“Eles odeiam propriedade privada, porque o MST planta e 70% ficam para o governo ou a direção do movimento”, disse Flávio sem citar a fonte dos dados. “Aqui se planta e fica 100% para o proprietário (…) que bota comida na mesa e alimenta o mundo”, completou o senador. Ele disse ter recebido uma pauta com 59 demandas do setor no evento na capital sul-mato-grossense.
No encerramento do discurso, a mesma frase “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos“, do seu pai, Jair. “Um dos injustiçados, assim como centenas de brasileiros”, segundo o senador.