Inflação

Inflação reacende sinal de alerta: veja o que mais pesou no IPCA de março

10 abr 2026, 11:43 - atualizado em 10 abr 2026, 11:43
(Imagem: iStock/ Andrzej Rostek)

A alta de 0,88% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em março, acima das expectativas do mercado, acendeu um alerta. A inflação voltou a mostrar força justamente nos componentes mais sensíveis e mais persistentes.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na leitura dos especialistas, três vetores principais explicam a surpresa altista: combustíveis, alimentos e serviços.

O choque mais evidente veio do grupo de transportes, impulsionado pela disparada dos combustíveis em meio às tensões no Oriente Médio. Gasolina e óleo diesel registraram altas expressivas no mês e, sozinhos, tiveram contribuição relevante para o índice cheio. Em março, a alta foi de 4,47% e 13,90%, respectivamente.

Para Marcela Kawauti, economista da Lifetime, esse movimento já reflete o impacto das commodities no cenário doméstico. “Sem a pressão de gasolina e diesel, o IPCA teria sido significativamente menor”, destaca.

A leitura é compartilhada por diferentes casas. O Banco Daycoval também aponta os combustíveis como um dos principais responsáveis pela inflação mais forte, destacando que os preços administrados reagiram diretamente ao cenário externo.

Não foi só a energia que pesou

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O grupo de alimentação voltou ao centro das preocupações, com uma alta disseminada e acima do esperado, especialmente nos itens in natura. Produtos como tomate, cebola e leite lideraram os aumentos, refletindo tanto fatores climáticos quanto pressões na cadeia de oferta.

Segundo o economista do ASA, Leonardo Costa, essa surpresa em alimentação no domicílio foi um dos principais fatores por trás do desvio em relação às projeções. Além disso, começa a surgir um efeito indireto do encarecimento dos combustíveis: o aumento do custo de transporte já impacta os preços dos alimentos.

Outro ponto que chamou atenção foi a resiliência dos serviços que é um componente mais ligado à demanda e, portanto, mais difícil de ceder.

Itens como alimentação fora do domicílio, transporte por aplicativo e até serviços ligados ao lazer vieram mais fortes do que o esperado, indicando que a inflação subjacente segue pressionada. A média dos núcleos também surpreendeu para cima, reforçando essa percepção.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Para o Daycoval, esse comportamento mantém o núcleo da inflação em patamar elevado, ainda que com alguma desaceleração na comparação anual. Já o ASA destaca que os serviços seguem rodando em níveis altos neste início de ano, o que sugere uma dinâmica inflacionária mais persistente.

Para Josias Bento, da GT Capital, o quadro é ainda mais desafiador, já que na sua avaliação os vetores que impulsionaram a inflação não têm caráter temporário. “Os alimentos sofrem com clima, oferta e repasses, enquanto transportes seguem sensíveis aos combustíveis e ao câmbio”, afirma.

Esse diagnóstico é reforçado por uma combinação de fatores. De um lado, o choque de oferta global, puxado pelas commodities; de outro, uma inflação de demanda ainda resistente, especialmente no setor de serviços.

Apesar disso, segundo Kawauti, indicadores que excluem itens mais voláteis mostram que a pressão ainda está concentrada em alimentos e combustíveis, sem se espalhar pela economia.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

As análises são de que resultado de março deve levar a revisões para cima nas projeções de inflação e reforça um ambiente mais desafiador para o Banco Central. Com pressões vindas de diferentes frentes, e sem sinais claros de alívio no curto prazo, o espaço para cortes de juros tende a ser mais limitado, com a autoridade monetária mantendo um ritmo mais conservador nas próximas decisões.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Por dentro dos mercados

Receba gratuitamente as newsletters do Money Times

OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar