FMI defende política monetária flexível e dependente de dados no Brasil em meio a incertezas
A diretoria do Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou que a política monetária do Brasil deve permanecer dependente de dados e flexível em meio às incertezas globais elevadas, destacando que vê como “apropriado” que a normalização da política de juros se dê a um ritmo mais lento do que o esperado antes da guerra no Oriente Médio.
As considerações, divulgadas nesta quinta-feira em nota, foram feitas na aprovação da chamada “consulta do Artigo IV” para o Brasil, avaliação periódica da economia dos países feita pelo Fundo e concluída no Brasil em 20 de julho.
O FMI citou a “notável resiliência” da economia brasileira em meio aos choques recentes e defendeu a necessidade de um esforço fiscal mais ambicioso.
Os diretores destacaram, em particular, a pertinência de fortalecer o arcabouço fiscal, com a fixação de limites de gastos abrangentes, uma âncora de dívida de médio prazo e a vinculação do crescimento dos gastos a receitas estruturais.
O Fundo prevê que o Produto Interno Bruto do Brasil crescerá 2,4% este ano, desacelerando em 2027 em face da política monetária restritiva.
Os riscos para a perspectiva de crescimento do PIB são majoritariamente baixistas, diante da incerteza global, destacaram os diretores do FMI.
“O principal risco é uma escalada das tensões geopolíticas, especialmente no Oriente Médio, que poderia elevar a inflação e, por meio de condições financeiras mais restritivas e da menor demanda global, reduzir a atividade econômica”, disse o Fundo na nota.
“As tensões comerciais globais podem prejudicar o investimento estrangeiro e o comércio. No âmbito doméstico, um esforço fiscal inferior ao previsto poderia aumentar a incerteza e intensificar as pressões inflacionárias, resultando em custos de financiamento mais elevados e, em última instância, em um crescimento mais fraco.”
O Banco Central do Brasil reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual no mês passado, para 14,25%, e indicou que combinará momentos de pausa e retomada no ciclo de cortes da taxa Selic para levar a inflação à meta de 3% no primeiro trimestre de 2028. O FMI disse esperar que a convergência à meta ocorra até meados de 2028.