Fundo imobiliário move ação de despejo contra Casas Bahia (BHIA3) após atraso de aluguéis; varejista representa 31% da receita do FII
O fundo imobiliário HSI Logística (HSLG11) informou, por meio de fato relevante, que a Casas Bahia (BHIA3), atualmente em recuperação judicial, não pagou o aluguel referente a setembro de 2026 de dois imóveis de seu portfólio.
Segundo o comunicado divulgado ao mercado, o débito, que venceu no último dia 7 de outubro, soma R$ 4,30 milhões e corresponde à locação dos empreendimentos “HSI Log. Contagem”, localizado em Contagem (MG), e “HSI Log. São José dos Pinhais”, em São José dos Pinhais (PR).
Diante do atraso, a administradora e a gestora do fundo informaram que ajuizaram, em 8 de outubro, uma ação de despejo por falta de pagamento contra a varejista.
O HSLG11 também destacou que, por se tratar de um crédito posterior ao pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, o montante devido tem natureza extraconcursal.
Na prática, isso significa que o crédito não se submete, em regra, aos efeitos da recuperação judicial, conforme as disposições legais aplicáveis.
Casas Bahia no portfólio
Atualmente, a Casas Bahia representa cerca de 30,7% da receita de aluguel contratada do HSLG11, segundo o relatório gerencial mais recente do fundo.
Desse total, 27,4% correspondem à locação direta e 3,3% à receita proveniente de áreas sublocadas à varejista.

Recuperação judicial da Casas Bahia
A Casas Bahia, cabe lembrar, anunciou em 16 de agosto o pedido de recuperação judicial, em conjunto com algumas subsidiárias.
À época, a empresa afirmou que a solicitação ocorreu em um contexto de deterioração das condições econômico-financeiras, atribuindo o cenário, entre outros fatores, a um ambiente macroeconômico marcado por taxas de juros elevadas.
Além disso, no balanço do segundo trimestre deste ano (2T26), a companhia reportou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões. O valor é 18 vezes maior do que o saldo negativo de R$ 555 milhões apresentado no mesmo período de 2025.
De acordo com a varejista, o resultado foi impactado em R$ 9,1 bilhões por eventos não recorrentes, como contratos não performados, baixa de ativos, gastos com reestruturação e Imposto de Renda (IR) diferido.