Recuperação Judicial

Grupo Casas Bahia (BHIA3) aprova e protocola pedido de recuperação judicial

17 ago 2026, 6:32 - atualizado em 17 ago 2026, 8:32
casas bahia
(Imagem: Divulgação/Casas Bahia)

A Casas Bahia (BHIA3) comunicou ao mercado, na manhã desta segunda-feira (17), que o conselho de administração da empresa aprovou o pedido de recuperação judicial da companhia, em conjunto com algumas subsidiárias.

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De acordo com o comunicado enviado à CVM, o pedido foi protocolado no Juízo de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo (SP) e contou com aprovação do acionista controlador.

A empresa destaca que o pedido ocorre em um contexto de deterioração das condições econômico-financeiras, atribuindo o cenário, entre outros fatores, a um ambiente macroeconômico marcado por taxas de juros elevadas, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e o capital de giro.

A recuperação judicial é apontada como necessária e como mais um passo no processo de reestruturação financeira, com o objetivo de preservar a continuidade das atividades e viabilizar uma solução ordenada para o equacionamento das obrigações. A empresa disse ainda que pretende manter as operações em todos os canais existentes durante o processo, priorizando o atendimento aos clientes e consumidores, sem interrupções relevantes e nos níveis de qualidade e serviço atualmente existentes.

Além da própria companhia, integram o pedido de recuperação judicial as empresas ASAP Log – Logística e Soluções; ASAP Log; CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística; Cntlog Express Logística e Transporte; Globex Administração e Serviços; Cnova Comércio Eletrônico; Integra Soluções para Varejo Digital; Casas Bahia Tecnologia; e Indústria de Móveis Bartira.

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O pedido também acontece após a empresa publicar os dados referentes ao segundo trimestre de 2026 (2T26), que apontou um prejuízo de R$ 10,1 bilhões.

Leia o comunicado completo:

Prejuízo de R$ 10 bi no 2T26

Na véspera, a empresa havia divulgado, com atraso, prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026 (2T26). O valor é 18 vezes maior do que o saldo negativo de R$ 555 milhões apresentado no mesmo período do ano anterior.

De acordo com a varejista, o resultado foi impactado em R$ 9,1 bilhões por eventos não recorrentes, como contratos não performados, baixa de ativos, gastos com reestruturação e Imposto de Renda (IR) diferido.

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Em termos ajustados, o prejuízo da Casas Bahia foi de R$ 978 milhões, um avanço de 76% na comparação anual.

Já a receita líquida da varejista foi de R$ 6,97 bilhões, crescimento de 1,6%, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado ficou em R$ 518 milhões, queda de 9,4%.

Fechamento de lojas e demissões

A empresa fechou 298 lojas e demitiu 1.900 pessoas em um processo de corte de custos, segundo informações do Valor Econômico na sexta-feira (14).

Fontes ouvidas pelo Valor afirmaram que o fechamento de 298 lojas, de um total de pouco mais de mil unidades, estava ocorrendo na própria sexta-feira. O número representa cerca de 28,7% do total de pontos no Brasil.

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A redução chama atenção justamente pelo número expressivo, uma vez que ajustes ocorrem ao longo dos trimestres, mas de forma mais fragmentada. Ao final de 2025, a Casas Bahia contava com 1.042 lojas, número menor que as 1.064 do ano anterior e 1.078 em 2023.

O Valor noticiou, ainda, que cerca de 600 funcionários já haviam sido desligados na quinta-feira (13), enquanto outros 1.300 a 1.400 cortes estavam previstos para a sexta. Uma fonte chegou a estimar um enxugamento de 3.000 funcionários.

Sob pressão

A Casas Bahia enfrenta uma pressão financeira em meio a um cenário macroeconômico desfavorável, com pressão sobre a renda disponível e endividamento das famílias.

A Casas Bahia enfrentou uma recuperação extrajudicial em 2024, com cerca de R$ 4 bilhões em obrigações.

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É editor-assistente do Money Times, atua na cobertura de criptomoedas, criptoeconomia e tecnologia para o Crypto Times. Formado em jornalismo pela ECA-USP, graduando em Economia na Unifesp. Foi repórter no Seu Dinheiro, Editora Globo e SpaceMoney.
É editor-assistente do Money Times, atua na cobertura de criptomoedas, criptoeconomia e tecnologia para o Crypto Times. Formado em jornalismo pela ECA-USP, graduando em Economia na Unifesp. Foi repórter no Seu Dinheiro, Editora Globo e SpaceMoney.

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