Fundos de criptomoedas registram forte saída de recursos, com ETFs de bitcoin e ether pressionando mercado
Os produtos de investimento em ativos digitais e criptomoedas, como fundos e ETFs, voltaram a registrar um período de retirada de capital, refletindo um ambiente de maior cautela entre investidores institucionais.
Os produtos negociados em bolsa (ETPs) de bitcoin à vista (spot) nos Estados Unidos acumularam saídas de US$ 679 milhões na última semana, enquanto os ETFs de ethereum (ETH) perderam quase US$ 700 milhões ao longo de nove sessões consecutivas de saques.
O movimento ocorre em um momento em que o mercado cripto enfrenta dificuldades para acompanhar o desempenho das bolsas americanas.
O bitcoin chegou a se aproximar de US$ 87 mil no início de outubro, mas recuou posteriormente para a faixa de US$ 80 mil, sendo negociado ao redor de US$ 83,5 mil. No mesmo período, o índice S&P 500 renovou máximas históricas e avançou 1,2%, enquanto a principal criptomoeda recuou cerca de 3%.
A pressão vendedora foi particularmente intensa nos ETFs de bitcoin. Foram US$ 485 milhões em um único dia, o maior resgate diário desde junho.
Além do bitcoin (BTC), ETFs de ether (ETH) também registram saques
No caso do ether, o cenário foi ainda mais devastador. Os ETFs ligados à segunda maior criptomoeda do mercado acumularam nove pregões consecutivos de saídas, totalizando aproximadamente US$ 700 milhões, dos quais US$ 542 milhões ocorreram apenas na última semana.
Apesar do fluxo negativo recente, a participação de investidores profissionais nos ETFs de bitcoin permaneceu resiliente. Como o total de bitcoins sob custódia dos ETFs caiu 6,3% no período, a fatia detida por investidores profissionais subiu para 22,4% do total.
Entre os destaques positivos, corretoras e bancos seguiram ampliando exposição. A Jane Street adicionou cerca de 10,9 mil BTC em posições reportadas, enquanto a Morgan Stanley passou a aparecer com cerca de 10,4 mil BTC em holdings que não constavam anteriormente no levantamento.
Por outro lado, os fundos hedge (proteção) continuaram reduzindo participação. As posições desse grupo caíram 22%, para 37,8 mil BTC, menos da metade do volume registrado no fim do ano passado. A DE Shaw zerou sua exposição, enquanto a Millennium Management reduziu aproximadamente pela metade sua posição em bitcoin.
De acordo com a CoinShares, a atenção do mercado agora está voltada para os próximos registros institucionais do terceiro trimestre. Os documentos poderão indicar se a demanda profissional ganhou força após a valorização de aproximadamente 25% do bitcoin em agosto e a entrada de US$ 3,5 bilhões nos ETFs durante aquele período.
Além dos fluxos dos fundos, investidores seguem monitorando o cenário macroeconômico dos Estados Unidos.
Dados mais fracos do mercado de trabalho reduziram as expectativas de aperto monetário imediato pelo Federal Reserve, mas a divulgação da inflação ao consumidor continua sendo vista como fator decisivo para o comportamento dos ativos de risco e, consequentemente, dos fluxos para fundos de criptomoedas.