Futuro ativo de seguro rural da B3 parametrizado pelo Inmet terá “prova de conceito” em 2021

19/04/2021 - 15:15
Agronegócio
Condições climáticas com previsibilidade, nos seguros, oferecerão novas garantias (Imagem: Pixabay)

Em novembro, a B3 (B3SA3) passa a registrar as apólices de seguros rurais, se mantido o calendário da Superintendência de Seguros Privados (Susep). Até lá também já deverão estar no mercado as primeiras “provas de conceito” (testes) do futuro ativo de seguro rural por índices paramétricos, baseado em dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Em 2021, quando o novo produto estiver instrumentalizado como título de negociação, produtores e seguradoras estarão obtendo novas garantias, e a Brasil, Bolsa Balcão reforça sua presença num setor que faz sucesso no mercado financeiro no Estados Unidos.

Dessa expectativa, que nasce após a concretização do acordo entre Inmet e B3, conforme noticiou Money Times na sexta (16), Ícaro Araújo Leite, superintende de Seguros destaca os benefícios diretos aos dois principais agentes do mercado.

Para o segurado, cujo maior “interesse é pela cobertura”, os dados históricos e atuais de ocorrências climáticas, referenciados pelo Inmet, sobre uma determinada região, e subscritos na apólice, são garantias valiosas.

Ao mesmo tempo, com a “parametrização”, a partir do SIM (Sistema de Informação Meteorológica) Inmet, qualquer sinistro comprovadamente ocorrido e lastreado pela autarquia, pode dispensar o prazo de análise e auditoria das seguradoras. O pagamento pode ser feito imediatamente.

E isso, para Araújo Leite, igualmente é favorável às companhias, que dispensam os custos operacionais desses processos.

Dois outros elementos, mais associados aos benefícios das seguradoras, também indiretamente favorecerão os tomadores. Um é o funding que as empresas captarão no mercado, seja por qual modelo de negócios vier a ser decidido.

RenovaBio

O executivo da B3 avisa que aí já será um processo que outras equipes da casa entrarão em cena, após todos os ajustes que ele deverá liderar nos próximos meses com todos os agentes, companhias, produtores rurais, Inmet e, possivelmente, corretoras.

Mas aqui guarda alguma semelhança com os Créditos de Descarbonização (CBios), do RenovaBio, títulos emitidos pelas processadoras de biocombustíveis que auxiliam no suporte produtivo nas operações de baixo carbono. Lembrando que o diretor do Inmet, Miguel Lacerda, foi o idealizador desse programa nacional de biocombustíveis, e seu assessor, Paulo Costa, foi um dos concretizadores do instrumento financeiros, quando ambos estavam no Ministério de Minas e Energia.

Outra vantagem direta, além dos recursos do mercado financeiro, as seguradoras terão via IRB – Brasil Resseguros (IRB3). “Alguns sinistros podem impactar a solvência da seguradora [por meio de uma conta atuarial da Susep], mas com a gestão da carteira, com boas informações, o resseguro pode cobrir”, diz Ícaro Araújo Leite.

Com informações alicerçadas pelo Inmet, mais a expertise da B3 nos registros e futura negociação, as seguradoras terão mais clareza dos riscos.

Certamente isso terá algum impacto nos preços do seguro, mas também novos players deverão entrar no mercado, oferecendo maior concorrência, da mesma forma que mais produtores rurais estarão no mercado. E muitos que fazem apenas “provisões”, verão que é mais garantido, com pequeno custo, fazer seguro, explica o superintende de Seguros da B3.

“E algumas companhias já se mostraram muito animadas nas primeiras conversas”, afirma.

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Última atualização por Giovanni Lorenzon - 19/04/2021 - 15:44

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