Juros

Galípolo vê expectativas de inflação desancoradas e defende manutenção de juros restritivos

24 jul 2026, 15:45
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O Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante coletiva sobre medidas de reforço da segurança do Sistema Financeiro Nacional. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta sexta-feira (24) que a deterioração das expectativas de inflação reforça a necessidade de manter a política monetária em um patamar restritivo.

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Durante participação em evento da XP Investimentos, ele disse que a combinação entre atividade econômica resiliente, mercado de trabalho aquecido e projeções de inflação mais elevadas recomenda cautela na condução dos juros.

Segundo Galípolo, embora a taxa básica de juros já esteja em um nível contracionista, a piora das expectativas adiciona um novo elemento de preocupação para o Banco Central.

“Os sinais que a gente tem aqui da economia brasileira, de ainda uma economia com um mercado de trabalho bastante resiliente, de uma atividade econômica que se mostra ainda resiliente, e a preocupação adicional das expectativas que já estavam parcialmente desancoradas e desancoram um pouco ainda mais”, afirmou.

“Então, ainda que nós estejamos com um patamar de taxa de juros que está num patamar restritivo, isso obviamente é uma preocupação adicional que nos recomenda permanecer com uma taxa de juros num patamar restritivo por um período mais longo”.

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Na avaliação do presidente do BC, as expectativas de inflação continuaram se deteriorando mesmo após o mercado passar a projetar uma trajetória mais elevada para a Selic, indicando que outros fatores também estão influenciando as projeções dos agentes econômicos.

“O que a gente assistiu agora, de novo, foi que as taxas de juros permaneceram em um patamar ainda mais contracionista e, mesmo assim, a gente viu as expectativas andando um pouco mais. O que envolve deduzir que existe algum outro tipo de fator”, disse.

Galípolo ponderou que ainda é preciso entender se esse movimento reflete fatores já presentes na economia ou expectativas sobre eventos futuros, mas destacou que o Banco Central acompanha de perto o comportamento das projeções de inflação justamente pelos riscos de efeitos de segunda ordem decorrentes de choques de oferta.

BC não reage a um dado isolado

O presidente também afirmou que as decisões de política monetária não são tomadas com base em indicadores pontuais, mas na consolidação de tendências da economia.

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“A gente não vai reagir em função de um dado específico”, afirmou.

Segundo Galípolo, o Banco Central continuará monitorando a atividade econômica e os efeitos da política monetária, mantendo a avaliação de que o atual nível da Selic já exerce impacto sobre a demanda.

Ao comparar a atuação da autoridade monetária com a reação do mercado, o presidente recorreu a uma metáfora para explicar a postura do Copom. “O Banco Central está mais para um transatlântico do que para um jet ski”.

Galípolo acrescentou que a condução da política monetária exige “serenidade”, “parcimônia” e “humildade” diante das incertezas do cenário econômico e das limitações inerentes às projeções, defendendo que as decisões sejam tomadas com base em um conjunto amplo de informações, e não em respostas imediatas a indicadores isolados.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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