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Fictor: Gestora ligada a Vorcaro administrou fundos criados em outubro e liquidados menos de 2 meses depois

21 jul 2026, 18:00 - atualizado em 21 jul 2026, 18:26
Fictor
O CEO da Fictor, Rafael Góis / Foto Reprodução

A LAD Capital, gestora que apareceu como prestadora de serviços a estruturas ligadas ao primo de Daniel Vorcaro, Felipe Cançado Vorcaro, administrou dois fundos da Fictor Asset que foram criados em outubro do ano passado e liquidados antes do fim de 2025, com entrega imediata de ativos a um cotista único, não identificado.

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Mais recentemente, a LAD também foi apontada como representante de Nelson Tanure em movimentações na Gafisa (GFSA3).

Os veículos em questão são o Fictor+ Energia Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia Responsabilidade Limitada e o Fictor+ Real Estate Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia Responsabilidade Limitada.

Ambos aparecem no cadastro da CVM com registro em 17 de outubro de 2025, administração da LAD Capital Gestora de Recursos e gestão da Fictor Asset.

Dados da Anbima mostram que os fundos somavam cerca de R$ 178 milhões em patrimônio líquido. Em 25 de novembro de 2025, o Fictor+ Energia FIP tinha patrimônio líquido de R$ 110,59 milhões. O Fictor+ Real Estate FIP tinha R$ 67,77 milhões.

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Já no dia 26 de novembro, ocorreram as assembleias, na sede da LAD Capital, em São Paulo, que aprovaram a liquidação dos fundos e a “entrega imediata de ativos ao cotista” único. Nesse dia, ambos foram zerados.

Pelos documentos consultados pela reportagem, a liquidação envolvia a transferência da totalidade dos ativos ao cotista, a baixa dos CNPJs dos fundos e o cancelamento dos registros na CVM. Os dois fundos foram, então, cancelados em 31 de dezembro de 2025.

A reportagem não localizou, nas bases públicas da CVM consultadas diretamente, carteiras públicas, demonstrações financeiras ou informes periódicos que permitam identificar quais ativos compunham os fundos antes da liquidação. Os documentos também não identificam o cotista único.

Em paralelo a isto, a holding Fictor fez uma oferta pela aquisição do Master no dia 17 de novembro do ano passado, um dia antes da liquidação do banco. Em dezembro, investidores das Sociedades em Conta de Participação (SCPs) do grupo começaram a reclamar de atrasos de rendimentos e de resgates.

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Procuradas, LAD Capital, a Fictor Asset e Nelson Tanure não haviam respondido até a publicação deste texto. O espaço continua aberto para manifestação.

Outras conexões

A LAD Capital também administrou e geriu o Green Energia FIP, fundo que tinha entre seus cotistas Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, controlador do Master.

O Green Energia FIP foi citado pela Polícia Federal no relatório da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de gestão fraudulenta, organização criminosa e desvio de recursos do Banco Master. Segundo a PF, o fundo recebeu recursos de uma estrutura investigada relacionada a operações do banco.

Segundo reportagens da época, Felipe Cançado Vorcaro era um dos cotistas do fundo, que possuía participações na Green Investimentos e na Trinity. A Polícia Federal investiga se essas empresas foram utilizadas para gerar dividendos e transferir patrimônio de forma indireta ao núcleo investigado no caso do Master.

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A LAD não foi alvo da operação e afirmou, à época, que colaborava com as autoridades e havia entregado a documentação solicitada.

A gestora também apareceu, mais recentemente, em outra frente com conexões com o Banco Master e a incorporadora Gafisa, onde sócios minoritários vêm apontando o esvaziamento da companhia.

Em apuração do Money Times, uma fonte ouvida pela reportagem afirmou que a LAD representava o empresário Nelson Tanure em movimentações na incorporadora. Tanure foi apontado pela Polícia Federal como possível sócio oculto de Vorcaro, o que ele nega.

Nos documentos dos fundos Fictor+ consultados pela reportagem, não há menção direta ao Banco Master. A ligação com o ecossistema investigado aparece, nesse momento, pela presença da Fictor Asset como gestora dos fundos e pelo histórico recente da LAD em estruturas já associadas a personagens do caso Master.

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Há ainda uma inconsistência documental: o arquivo disponibilizado pela CVM para a assembleia do Fictor+ Real Estate traz o nome do fundo, mas informa no corpo da ata um CNPJ que corresponde a outro veículo, o Petroquímica Verde FIP. Gerido e administrado pela LAD, o Petroquímica Verde era custodiado pela Sefer, empresa liquidada pelo Banco Central e apontada como operadora de holdings de Daniel Vorcaro.

Parceria entre LAD e Fictor Asset vai além

Além dos dois fundos mencionados no início desta reportagem, a reportagem localizou outros três fundos no cadastro da CVM que combinam LAD Capital como administradora e Fictor Asset como gestora.

Um deles é o Jakarta Fundo de Investimento em Participações – Capital Semente, registrado em dezembro de 2024 e ainda em funcionamento nos registros consultados. A carteira de dezembro de 2025, recebida pela CVM em junho de 2026, indicava patrimônio líquido de R$ 19,55 milhões. O principal item era R$ 18,62 milhões em valores a receber, sem identificação pública da contraparte, vencimento ou natureza do crédito.

O regulamento do Jakarta permitia investimento de até 100% dos recursos em ativos de uma única companhia investida, integralização de cotas em dinheiro ou ativos e amortização ou liquidação com entrega de ativos aos cotistas. Em fevereiro de 2026, a LAD comunicou renúncia à administração do fundo e afirmou que, se os cotistas não indicassem substituto em até 180 dias, faria a liquidação com entrega de ativos.

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Os outros dois fundos registrados na CVM são o RB RM Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, registrado em julho de 2025 e cancelado em fevereiro de 2026, e o LAB Fundo de Investimento em Participações, registrado em outubro de 2025 e também cancelado em fevereiro de 2026.

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), anteriormente, afirmou haver indícios de “blindagem patrimonial seletiva” no Grupo Fictor ao conceder uma medida cautelar de arresto de bens contra empresas e pessoas físicas ligadas ao conglomerado, em mais um desdobramento da crise envolvendo as estruturas de investimento da companhia.

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Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br

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