Economia

Gestora Truxt alerta para crescimento e vê Argentina como lição

04 set 2019, 10:01 - atualizado em 04 set 2019, 10:04
Argentina Bandeira
Fundadores da Truxt estão preocupados com a economia brasileira e usam crise argentina como lembrete ao governo Bolsonaro (Imagem: Reuters/Marcos Brindicci)

José Tovar e Bruno Garcia passaram por todos os altos e baixos da América Latina ao longo dos últimos dezenove anos em que trabalharam juntos: de governos populistas à inflação elevada e planos econômicos vagos.

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Agora, os fundadores da gestora de recursos Truxt Investimentos, baseada no Rio de Janeiro, estão especialmente preocupados com o ritmo lento da recuperação da maior economia da região.

E eles acreditam que a turbulência recente enfrentada pela Argentina está enviando uma mensagem para o governo do presidente Jair Bolsonaro: o crescimento econômico precisa reagir para que a agenda liberal do governo obtenha sucesso.

“As primárias foram um sinal”, disse Tovar, diretor executivo da Truxt, que tem R$ 11,5 bilhões em ativos sob gestão. “Mesmo com a linha ortodoxa, liberal do Macri, o governo acabou não entregando no tempo eleitoral e isso provavelmente o levará a perder as eleições”, Tovar disse em uma entrevista no escritório da Bloomberg em São Paulo.

O plano do presidente argentino Mauricio Macri para equilibrar o orçamento do país vizinho por meio de crescimento nunca se concretizou. Macri precisou implementar dolorosos cortes de gastos e a economia provavelmente cresceu em apenas um dos quatro anos em que ele ocupou o cargo.

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Pesquisas apontam que é altamente improvável que ele reverta o revés de 15 pontos para o candidato de oposição Alberto Fernández na eleição em 27 de outubro.

Embora a economia brasileira, por sua vez, tenha se recuperado no segundo trimestre do ano, escapando de uma recessão, economistas têm consistentemente revisado para baixo suas expectativas, em meio a dados decepcionantes de atividade.

A administração Bolsonaro tem se comprometido com o avanço de medidas incluindo reformas nos sistemas previdenciário e tributário, encolhendo o tamanho do estado e reduzindo a burocracia.

“A Previdência veio melhor do que todos esperavam e nos deu um conforto maior de que não vamos ‘quebrar’”, disse Garcia, diretor de investimentos da Truxt. “Mas, para resolver o problema, precisamos crescer. Enquanto não crescermos, a equação fiscal não se resolve, o desemprego não cai e a situação política não melhora.”

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Menos risco

A dupla alerta para ventos contrários no exterior, em meio a uma persistente disputa comercial entre Estados Unidos e China e a uma desaceleração da economia global, que recentemente levaram a gestora a reduzir seu apeite por ativos mais arriscados. “Há sinais fortes de uma grande aversão a risco”, disse Garcia.

No mercado local, a Truxt recentemente zerou uma posição aplicada em juros, em meio à visão de que a queda da taxa Selic para 5% já está precificada.

A gestora, que também zerou uma pequena aposta comprada em bolsa brasileira, está comprada no dólar contra o real. Fora do país, a Truxt carrega uma posição aplicada em juros no México e uma posição comprada em ouro.

“Depois de termos passado um período com bastante risco, especialmente dado em juros no Brasil, essa aposta ficou magra”, disse Tovar.

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Na bolsa, a Truxt tem favorecido papeis ligados à economia doméstica, que eventualmente se beneficiarão de uma recuperação do crescimento econômico.

A gestora gosta de algumas varejistas, companhias do setor de energia elétrica e de saúde, especialmente das empresas verticalizadas, segundo Garcia.

Tovar fundou a ARX Investimentos em 2001 e vendeu a empresa para o BNY Mellon sete anos depois. Em 2017, ele e Garcia deixaram a ARX para criar a Truxt, que atualmente conta com 40 funcionários.

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