Gestores revelam oportunidades para lucrar com bolsa; ‘Tem muita ação que precisa dobrar para ficar barata’
A Bolsa caminhava para superar as expectativas dos analistas e alcançar os tão sonhados 200 mil pontos. No entanto, a guerra no Irã e o temor de que o “dragão da inflação” volte a ganhar força derrubaram o índice mais uma vez.
Na visão de gestores, porém, a correção abriu uma excelente oportunidade para comprar boas empresas a preços mais atrativos.
Em um painel da XP Expert, realizado em São Paulo, André Lion, gestor de ações da Ibiúna Investimentos, Octávio Magalhães, da Guepardo Invest, e João Luiz Braga, da Encor, demonstraram otimismo em relação à Bolsa, apesar do ambiente de pessimismo.
Para Magalhães, a conta é simples: emprestar dinheiro ao governo já não parece um investimento livre de riscos.
“Isso envolve risco fiscal e político, especialmente diante da incerteza.”
Na avaliação do gestor, é possível encontrar na Bolsa companhias capazes de entregar retornos da ordem de inflação mais 14% ao ano, um prêmio significativamente superior ao de uma NTN-B pagando inflação mais 8%.
Mas a escolha dos ativos exige seletividade. Magalhães prefere empresas de grande porte, pouco alavancadas e capazes de atravessar um ciclo prolongado de juros elevados.
“As líderes conseguem atravessar o ciclo, ganhar participação de mercado e sair fortalecidas.”
Entre suas preferidas estão Klabin (KLBN11), Vivara, Ultrapar (UGPA3) e Smart Fit (SMFT3),. Segundo o gestor, os próximos quatro anos podem representar uma janela interessante para construir posições em um portfólio diversificado.
Braga segue a mesma linha. Ele afirma priorizar empresas de maior qualidade e evita companhias que considera mais problemáticas, como Arezzo (AZZA3), Ânima (ANIM3) e Natura (NATU3).
“A Smart Fit (SMFT3), por exemplo, continua crescendo cerca de 30% ao ano, e mais da metade de suas receitas vem de mercados fora do Brasil.”
Outro papel citado pelo gestor foi o Nubank (ROXO34), que há menos de um ano figurava entre os favoritos do mercado. Em 2025, porém, a ação acumula queda superior a 20%, refletindo o mau humor dos investidores.
“[A empresa] continua crescendo. Se houver uma melhora relevante do cenário macroeconômico, poderemos repetir um movimento semelhante ao de 2016, aumentando a exposição às melhores empresas de cada setor.”
Segundo Braga, há diversas companhias negociadas a preços que embutem retornos reais superiores a 15% ao ano.
“Nesse contexto, uma diferença de 5% a 7% deixa de ser relevante diante do potencial de valorização em dois anos.”
Para o gestor, o momento favorece investidores com horizonte mais longo. Ou seja, apesar do retorno, o investidor terá que ter paciência.
“Nunca vimos um mercado tão favorável para fazer arbitragem temporal. O investidor está excessivamente concentrado no curto prazo. Quando se amplia o horizonte de análise, a previsibilidade do fluxo de caixa aumenta.”