Gol (GOLL54) dispara 60% e Azul (AZUL54) recua 26%; o que está por trás dos movimentos?
As ações da Gol (GOLL54) e Azul (AZUL54) são destaque na B3 no pregão desta segunda-feira (12), em meio à forte volatilidade que ambas enfrentam durante seus respectivos processos de reestruturação.
Por volta de15h15 (horário de Brasília), as ações da Gol disparavam 52,96%, a R$ 9,56, enquanto os papéis da Azul recuavam 10,67%, a R$ 67,00.
Nas máximas do dia, GOLL54 chegou a disparar 60,00%, cotada R$ 10,00 e AZUL54 derreteu 26,67%, a R$ 55. Acompanhe o tempo real.
Vale lembrar que o código GOLL54 corresponde a um lote de 1.000 ações, enquanto AZUL54 corresponde a um lote de 10.000 ações.
No caso da Gol, está no radar do mercado o laudo de avaliação que servirá de base para a oferta pública de aquisição (OPA) das ações preferenciais da companhia, passo necessário para o fechamento de capital e a saída do Nível 2 de governança da B3. O documento apontou um valor econômico de R$ 10,13 por lote de mil ações.
Na visão de Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing, a alta da Gol já era amplamente esperada — ainda que sem noção da intensidade. Ele destaca que há uma expectativa de que, caso a OPA se concretize, o valor da companhia no início do pregão é menor do que o oferecido a partir do laudo de avaliação.
“Alguns investidores podem ver isso como uma oportunidade, de se posicionar a R$ 9,30 e, saindo a oferta pública, vender acima de R$ 10”. Para o especialista, quanto mais o assunto ficar latente no mercado, maior a tendência desse posicionamento.
Ele destaca que quando o preço da ação chegar próximo dos R$ 10,13, é esperado um movimento de queda, tendo em vista a estratégia de quem está comprando agora para vender antes mesmo do procedimento da OPA se concretizar.
A consultoria Apsis chegou ao preço com base na metodologia de fluxo de caixa descontado (FCD), considerada pelo avaliador a mais adequada para refletir a capacidade futura de geração de caixa da companhia.
A divulgação do laudo dá sequência ao processo iniciado em novembro de 2025, quando a GOL contratou formalmente a avaliadora e passou a cumprir os procedimentos exigidos pela regulamentação para a realização da OPA de saída do Nível 2.
Na ocasião, a companhia informou que a oferta seria conduzida pela Gol Investment Brasil (GIB), controladora direta da aérea, como parte da reorganização societária que culmina na incorporação da holding pela Gol Linhas Aéreas S.A. (GLA), empresa de capital fechado do grupo.
E a Azul?
Já no caso da Azul, a companhia recua após uma disparada de mais de 200% na última sexta-feira (9), em movimento de repique técnico após uma queda extremamente acentuada, uma vez que as ações vinham acumulando uma queda da ordem de 90%, conforme avaliação de Matheus Cabral, private banker da Guardian Capital.
A companhia entrou nos holofotes do mercado com seu aumento de capital de R$ 7,44 bilhões, passo relevante para a saída da recuperação judicial nos Estados Unidos (Chapter 11), mas que gerou uma diluição massiva dos acionistas minoritários da companhia.
Somado a isso, na última semana, o presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) prorrogou o prazo para conclusão do ato de concentração entre a United Airlines Inc. e a aérea.
A decisão de não liberar a certidão de trânsito em julgado, que conclui o processo, gera um atraso burocrático depois de a Superintendência-Geral do Cade ter aprovado a operação sem restrições, no fim de dezembro.
A operação consiste na aquisição, pela United Airlines, de uma participação minoritária do capital social da Azul, como parte da reestruturação societária nos Estados Unidos, sob o processo de Chapter 11.
O movimento ocorre porque, após a aprovação pela área técnica, o Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo (IPSConsumo) apresentou pedido de entrada como terceiro interessado.
Analistas do Bradesco BBI destacam que o investimento da United na Azul deve ser reanalisado após a inclusão do terceiro interessado na análise. O investimento de US$ 100 milhões é um componente crucial do plano de recuperação judicial da Azul.
“Além disso, a Azul apresentará o investimento da American Airlines ao Cade após a conclusão do processo com o outro sócio”, diz os analistas. A recomendação da casa para a companhia aérea é de venda.
O mercado ainda aguarda o resultado da assembleia geral extraordinária e assembleia especial marcadas para esta segunda-feira (12), que deliberaram sobre o fim das ações preferenciais da Azul e transformação de todo o capital da companhia em ações ordinárias, movimento que também faz parte do plano de recuperação judicial.