Goldman Sachs rebaixa Ânima (ANIM3) para venda e corta preço-alvo em mais da metade
O Goldman Sachs rebaixou a recomendação para as ações da Ânima Educação (ANIM3) de compra para venda e reduziu o preço-alvo dos papéis de R$ 5,50 para R$ 2,00 ao final dos próximos 12 meses — um corte de aproximadamente 64%.
Segundo o banco, a mudança reflete uma combinação de perspectivas fracas para os resultados, elevado endividamento e incertezas em torno da aquisição da FMU, anunciada pela companhia em julho.
Na avaliação do analista, a Ânima deve apresentar um ritmo mais lento de crescimento da receita já no segundo trimestre de 2026, pressionada pelo aumento da evasão de alunos na operação da Ânima Core e por um ciclo mais fraco de captação em todo o setor de ensino superior.
Além disso, o Goldman destaca que a companhia possui a estrutura de capital mais alavancada entre as empresas brasileiras de educação sob sua cobertura. A instituição projeta uma relação dívida líquida/Ebitda de 2,7 vezes ao fim de 2026 (pós-IFRS 16), em um cenário de juros elevados por mais tempo no Brasil.
“O endividamento representa um risco relevante para os resultados, já que as despesas financeiras devem consumir cerca de metade do Ebitda da companhia em 2026”, apontou o analista.
Outro ponto de preocupação é a aquisição da FMU. Embora o Goldman não incorpore a operação em seu modelo por ainda depender da conclusão da transação, o banco acredita que ela pode elevar ainda mais a alavancagem e pressionar as margens da Ânima durante o processo de integração.
Segundo as estimativas da instituição, caso a aquisição seja concluída, a alavancagem poderá subir para um intervalo entre 2,6 e 2,7 vezes, aproximando-se do limite de 3 vezes previsto nos contratos de dívida da companhia.
ANIM3: prévia do 2T26
Para o segundo trimestre, o Goldman Sachs espera crescimento de 4% na receita líquida da Ânima na comparação anual, enquanto o EBITDA ajustado deve avançar 4,7%, para cerca de R$ 369 milhões, com margem praticamente estável.
A divisão de medicina, Inspirali, deve continuar sendo o principal destaque da companhia, com expectativa de crescimento de 7% da receita, impulsionado pela expansão da base de alunos. Em contrapartida, a operação da Ânima Core deve crescer apenas 4,6%, praticamente em linha com a inflação, refletindo o ambiente mais desafiador para captação de estudantes e o aumento da evasão.
Apesar do rebaixamento, o Goldman afirma que uma melhora da rentabilidade da Ânima Core, a manutenção do desempenho da Inspirali e uma eventual queda mais rápida dos juros poderiam reduzir os riscos para a tese de investimento e favorecer uma desalavancagem mais acelerada da companhia.
A Ânima divulga seus resultados referentes ao segundo trimestre de 2026 (2T26) no dia 14 de agosto.