Política

Por que essa gestora com R$ 5 bilhões na carteira vê derrota de Lula como quase certa

18 set 2026, 18:52 - atualizado em 18 set 2026, 19:13
Lula vs Bolsonaro
Uma imagem combinada mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 4 de setembro de 2026, e o candidato à Presidência pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, em 16 de agosto de 2026 (Imagem: REUTERS/Adriano Machado e Pilar Olivares)

A eleição presidencial de 2026 ainda está longe de ser definida pelas urnas, mas uma gestora com cerca de R$ 5 bilhões sob gestão já trabalha com um cenário bastante claro: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegaria ao segundo turno em desvantagem contra Flávio Bolsonaro.

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Em relatório divulgado nesta quinta-feira (17), a Persevera estima que Flávio teria entre 50,35% e 52,6% dos votos válidos em um eventual segundo turno contra Lula. No cenário central da gestora, o placar seria de 52% a 48% para o senador.

A tese vai além da fotografia das pesquisas eleitorais, que mostram uma disputa próxima do empate. Para a Persevera, há sinais de que Lula está mais desgastado do que os levantamentos capturam e que parte da erosão de sua base já pode ser observada em regiões e grupos que foram importantes para sua vitória em 2022.

A própria gestora reconhece que não sabe quem vencerá a eleição. O argumento é outro: se a votação fosse hoje, os dados disponíveis apontariam para uma vantagem de Flávio, segundo seus modelos.

Rejeição virou o principal termômetro

Um dos pilares da análise é a rejeição dos candidatos.

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Segundo os dados compilados pela Persevera, Lula aparece com 52,5% de rejeição, quase 3 pontos percentuais acima de Flávio. Para a gestora, esse indicador é particularmente importante em uma eleição de segundo turno, quando eleitores que não têm preferência por nenhum dos candidatos acabam sendo obrigados a escolher entre os dois.

A lógica é baseada no comportamento das últimas eleições presidenciais. Desde 2014, afirma a Persevera, a rejeição teria apresentado uma relação relativamente próxima com o resultado das urnas.

Por isso, a disputa de 2026 seria menos uma escolha entre dois projetos e mais um ‘concurso de feiura’, na definição usada pela própria gestora: vence quem for menos rejeitado pelo eleitor.

Nesse cálculo, a vantagem estaria hoje com Flávio.

Desgaste de Lula não aparece apenas na eleição

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Outro ponto levantado pela Persevera é a avaliação do governo.

O relatório cita uma desaprovação de 55,2% para a gestão Lula. Como referência, Jair Bolsonaro chegou ao segundo turno de 2022 com 54,2% de desaprovação e 45,8% de aprovação.

A gestora faz então uma conta com base na conversão de aprovação em votos observada por Bolsonaro em 2022. Aplicando a mesma relação ao cenário atual, Lula ficaria em torno de 48,1% dos votos válidos no segundo turno.

O cálculo não significa que essa conversão necessariamente se repetirá em 2026. É, segundo o relatório, um indicador complementar para estimar o chamado ‘teto’ eleitoral do presidente.

Nordeste deixa de ser uma fortaleza tão segura

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Talvez o ponto mais importante da tese esteja no Nordeste.

Em 2022, Lula conquistou aproximadamente 69% dos votos válidos da região no segundo turno. Agora, a mediana das pesquisas citadas pela Persevera aponta para algo próximo de 65%.

Parece uma diferença pequena, mas o peso eleitoral do Nordeste torna cada ponto percentual relevante. Segundo o relatório, a região representa cerca de 33,5 milhões de votos válidos. Assim, cada ponto perdido por Lula e transferido para o adversário representa aproximadamente 670 mil votos.

A Bahia seria um dos principais focos de preocupação. A AtlasIntel citada no estudo aponta queda de 5,4 pontos percentuais para Lula no estado, enquanto a Futura estima uma redução de 9 pontos.

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A Persevera chama atenção ainda para o desempenho entre os jovens baianos. Na comparação com 2022, Lula teria recuado de mais de 83% para menos de 64% das intenções de voto bruto entre eleitores de 16 a 24 anos, segundo os dados apresentados no relatório.

Segurança pública entra no centro da eleição

Para a gestora, a mudança mais importante no comportamento do eleitor não está necessariamente em uma guinada ideológica, mas na mudança das prioridades.

A Persevera afirma que segurança pública passou a ocupar um espaço maior entre as principais preocupações dos brasileiros nos últimos quatro anos.

O problema é que esse tema historicamente favorece a direita e coloca o PT em uma posição mais desconfortável.

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Nas pesquisas citadas no relatório, Flávio aparece à frente de Lula quando os eleitores são questionados sobre quem seria mais confiável para administrar a segurança pública: 54% a 46%.

A gestora interpreta esse movimento como uma possível explicação para a perda de apoio de Lula entre eleitores independentes, jovens e moradores de regiões mais afetadas pela criminalidade.

A mudança religiosa também pesa

A transformação do perfil religioso do eleitorado é outro fator destacado.

O relatório cita dados segundo os quais a parcela de brasileiros que se declara evangélica passou de 21,6% em 2010 para 26,9% em 2022. Pela extrapolação utilizada pela Persevera, o grupo poderia chegar a 28,7% do eleitorado em 2026.

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A gestora afirma que pesquisas eleitorais indicam uma preferência majoritária desse grupo pela direita.

Na visão apresentada no relatório, Lula chega à eleição diante de três fraturas importantes: religiosa, geracional e regional.

Mas e as pesquisas?

É justamente aqui que a tese da Persevera fica mais distante da fotografia tradicional dos institutos.

A gestora argumenta que as pesquisas podem estar subestimando o candidato de direita por três motivos principais: o chamado ‘eleitor envergonhado’, erros de amostragem e dificuldades para capturar os efeitos da abstenção.

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O primeiro ponto é baseado na experiência de 2022, quando, segundo a Persevera, pesquisas de véspera teriam subestimado em cerca de 2 pontos percentuais a votação do candidato de direita no segundo turno.

A gestora também fez dois ajustes próprios.

Ao reponderar as pesquisas pela taxa histórica de comparecimento às urnas, encontrou uma vantagem de 50,35% a 50,6% para Flávio.

Já ao aplicar aos levantamentos atuais os erros de amostragem observados pelos institutos em 2022, chegou a uma faixa de 50,5% a 51,1% para o senador.

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Os modelos que incorporam a composição regional e a rejeição ampliam essa diferença.

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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