Governo do Distrito Federal e BRB negam uso de recursos do Tesouro distrital para apoiar liquidez do banco
O governo do Distrito Federal negou que esteja usando recursos do Tesouro distrital para apoiar o Banco de Brasília (BRB), que enfrenta problemas de liquidez e capital por causa do seu envolvimento com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
“Qualquer ilação a respeito disso é um grave desserviço à economia popular dos brasilienses e uma inequívoca tentativa de terceiros de interferir nas negociações em andamento para a assinatura de um acordo com o FGC, determinada pelo Supremo Tribunal Federal”, diz a nota divulgada nesta quarta-feira (22).
Como mostrou a Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, os problemas de liquidez do BRB vêm se agravando e o caixa do banco tem sido mantido de maneira “artificial”, enquanto o governo do DF atrasa pagamentos em áreas como saúde e educação para manter os recursos no banco.
A situação se torna mais delicada porque a governadora Celina Leão (PP) tem descartado o que seria a única solução pacífica para a debacle do banco: a privatização. Se a liquidez continuar se deteriorando, o Banco Central pode ser forçado a tomar uma decisão sobre o BRB nos próximos dias.
O BRB vem consumindo o próprio caixa enquanto aguarda o governo do DF obter um empréstimo de R$ 6,60 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para capitalizá-lo, após os prejuízos causados pelo seu envolvimento com o Banco Master. Mas os bancos que garantiriam a operação resistem ao negócio, e fontes de vários lados dão como certo que o empréstimo não vai sair, apesar da intermediação do Executivo e do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na nota, o governo do DF afirma que a Lei Orgânica distrital determina que o Executivo recolha todas as receitas do seu Tesouro ao BRB, assim como pague o pessoal por meio da instituição financeira. O DF também usa o banco para implementar políticas públicas.
“Portanto, não corresponde à realidade dos fatos que, nos dias de hoje, o GDF esteja usando recursos do Tesouro Distrital para apoiar o Banco de Brasília”, diz a nota.
BRB também nega ‘medidas extraordinárias’
Também por meio de nota, o BRB negou que a sua liquidez decorra de “medidas extraordinárias” e afirmou que continua pagando todos os seus compromissos. A instituição financeira negou que qualquer relação entre si própria e o Banco Central indique a adoção de “qualquer medida extraordinária”, sem entrar em detalhes.
“O BRB esclarece que é improcedente a afirmação de que sua liquidez decorra de medidas extraordinárias ou de qualquer mecanismo excepcional de sustentação financeira”, diz a nota do banco. “A posição de liquidez da instituição é composta por recursos regularmente captados e mantidos por seus clientes, em conformidade com a legislação e com a regulamentação do Sistema Financeiro Nacional.”
O banco também classificou como improcedente qualquer “interpretação” de que as suas relações com o BC representem um “fato excepcional” ou indiquem a adoção do que chamou de “medidas extraordinárias”, sem detalhar quais seriam. Como mostrou a reportagem, o BRB está livre de ser liquidado enquanto tiver recursos para honrar seus compromissos.
“As informações relativas à posição de liquidez, depósitos e demais indicadores prudenciais são encaminhadas regularmente ao regulador pelos canais oficiais previstos na regulamentação, no âmbito da supervisão aplicável a todas as instituições financeiras”, diz a nota.
O banco garantiu que “permanece honrando integralmente seus compromissos e operando em conformidade com os requerimentos prudenciais e de liquidez estabelecidos para o Sistema Financeiro Nacional”.