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GPA (PCAR3): Por que ações saltam até 14% mesmo após fracasso em tentativa de bloquear ações do Casino?

13 abr 2026, 15:51 - atualizado em 13 abr 2026, 15:52
gpa fundo imobiliário FII
(Imagem: iStock/Leila Melhado)

As ações do GPA (PCAR3), dona da bandeira Pão de Açúcar, operam em alta no pregão desta segunda-feira (13), mesmo após a companhia sofrer um revés com decisão desfavorável no tribunal arbitral em relação ao pedido de bloqueio de ações do Casino Guichard-Perrachon.

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Por volta de 15h40 (horário de Brasília), as ações PCAR3 subiam 8,22%, cotadas a R$ 2,37. Na máxima do dia, até este horário, a ação chegou a saltar 14,61%. Acompanhe o tempo real.



Na visão de Caroline Sanchez, analista da Levante Inside Corp, apesar de a alta parecer contraintuitiva com a notícia em um primeiro momento, o movimento ganha sentido diante da atual estrutura da tese.

“A decisão do tribunal arbitral basicamente libera o Casino — que está em recuperação judicial na França — para vender sua fatia no GPA, que tentou bloquear essa venda e não conseguiu. O mercado, no entanto, pode estar interpretando isso como um evento que acelera uma definição societária, que de certa forma já era esperada”.

A analista destaca que o Casino precisa fazer caixa, e a saída do capital do GPA é vista como praticamente inevitável, assim como dos demais investimentos da empresa no Brasil. Para Sanchez, a decisão reduz a incerteza jurídica sobre o momento dessa saída.

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Dessa maneira, quando essa disputa caminha para uma solução, ainda que desfavorável para o GPA, o mercado tende a reduzir parte desse desconto por incerteza.

Além disso, há o fator técnico, uma vez que o papel vem operando pressionado, com fluxo vendedor recorrente. Sanches destaca, contudo, que o desempenho positivo de hoje não muda a postura de cautela diante do GPA.

“A saída do Casino pode até melhorar a governança no longo prazo, mas no curto prazo abre margem para incerteza sobre quem será o novo acionista relevante e em quais condições essa venda irá acontecer”, pondera.

Hoje, na visão da analista, a tese de GPA não é uma tese de crescimento estrutural, mas uma tese de “sobrevivência operacional e desalavancagem”.

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“A companhia ainda enfrenta uma série de desafios bastante relevantes de geração de caixa, margens pressionadas e o ambiente mais competitivo no varejo alimentar […] Essa alta parece muito mais ligada a redução de incertezas societárias e fatores técnicos, mas não altera a leitura de risco elevado do caso”.

Riscos para o GPA

O advogado tributarista pela USP e sócio do Tax Group, Luís Garcia, avalia que a negativa do Tribunal Arbitral ao pedido de bloqueio das ações do Casino pode expor certa vulnerabilidade do GPA em sua recuperação extrajudicial, que já carrega R$ 4,5 bilhões em dívidas.

“Essa decisão evidencia o receio da empresa em relação à saída do acionista e a falta de garantias sobre suas obrigações financeiras. Além disso, temos um cenário agravado sob, ao menos, três perspectivas”, pondera.

O primeiro deles é uma eventual falta de garantias. A negativa do bloqueio pode enfraquecer a posição do GPA, dificultando a proteção de seus ativos.

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Em segundo vem a confiança do Mercado. Garcia destaca que a recuperação extrajudicial, embora mais ágil, pode não inspirar confiança suficiente nos credores, especialmente em um cenário de instabilidade acionária.

Por fim, o advogado aponta para o risco de descontinuidade: se o Casino deixar o quadro acionário, o GPA pode enfrentar complicações adicionais em suas negociações, complicando ainda mais a reestruturação de suas dívidas.

“A situação exige uma estratégia robusta para mitigar riscos e restaurar a confiança no mercado, sendo essencial para o GPA garantir que suas obrigações sejam cumpridas, enquanto navega pelas complexidades de sua recuperação”, diz.

Recuperação extrajudicial do GPA

No mês passado, o GPA entrou com pedido de recuperação extrajudicial, com cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas para renegociação.

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Diferentemente da recuperação judicial, a extrajudicial permite que empresas em crise financeira renegociem dívidas diretamente com credores.

A ideia não é levar à Justiça a recuperação, mas chegar a acordos sobre a reestruturação de dívidas diretamente com os credores. Dessa maneira, o processo tende a ser mais rápido, menos burocrático e mais barato que a recuperação judicial, focado no acordo voluntário para reestruturar passivos.

O mercado já vinha monitorando uma pressão financeira relacionada a vencimentos de curto prazo. Antes do pedido, o GPA chegou a anunciar a contratação de consultores para auxiliar na busca de alternativas para a melhoria do perfil do endividamento.

Entre os credores, estão nomes como Itaú, HSBC e Casas Bahia, sendo que essa última já pertenceu ao mesmo grupo que o dono da bandeira Pão de Açúcar. Veja aqui a lista completa.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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