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Aegea tem classificação sob revisão para rebaixamento pela Moody’s; confira os motivos

13 abr 2026, 17:49 - atualizado em 13 abr 2026, 17:49
aegea
(Imagem: divulgação)

A Moody’s Ratings colocou o Corportate Family Rating (CFR) Ba3 da Aegea Saneamento e o rating B1 da dívida sênior sem garantia da companhia, com suporte da Aegea Finance, em revisão para rebaixamento.

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Segundo a agência de classificação, a revisão foi desencadeada por atrasos recorrentes na divulgação das demonstrações financeiras auditadas do exercício de 2025, em meio a determinados ajustes contábeis solicitados por sua auditora, a KPMG.

“Embora os resultados tenham sido divulgados dentro do período de tolerância de suas obrigações de reporte e sem ressalvas no parecer do auditor, diversas fragilidades identificadas nos controles internos levaram a reversões de receitas reportadas e a provisões mais rigorosas para créditos de liquidação duvidosa, entre outros ajustes”, afirma a Moody’s.

As deduções na demonstração de resultados de 2024 e no patrimônio líquido, no valor de R$ 593 milhões e R$ 4,3 bilhões, respectivamente, representaram cerca de 25% e 12% dos valores previamente divulgados pela Aegea.

Apesar de reconhecer o benefício dessas iniciativas para aumentar a transparência das divulgações da companhia, a Moody’s considera que esses ajustes evidenciaram práticas contábeis que reconheciam receitas e lucros de forma antecipada, antes da efetiva conversão em caixa, favorecendo acionistas em detrimento de credores e contribuindo para menor confiança nas projeções de receita da empresa.

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Logo, a agência de classificação de risco ressalta que os aspectos de governança da Aegea são um fator-chave para essa revisão de rating.

Processo de revisão

A Moody’s diz que irá focar no impacto desses ajustes em nossas projeções de fluxo de caixa, além de considerar em que medida a empresa conseguirá melhorar a pontualidade de suas divulgações financeiras e restabelecer credibilidade junto às partes interessadas, incluindo credores e acionistas, para sustentar seus compromissos de investimentos (capex).

A revisão, segundo a Moody’s, analisará mais especificamente a posição atual de liquidez e a capacidade de gerar caixa internamente para honrar o serviço da dívida no prazo, especialmente no nível da holding.

“Também consideraremos a capacidade geral de refinanciamento e o acesso efetivo aos mercados de capitais nas condições atuais, bem como a capacidade da administração de reformular e estabilizar suas práticas de divulgação e mitigar o aumento do risco de governança”, afirma.

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A agência de classificação de risco acrescenta que um upgrade é “improvável” neste momento, considerando o processo de revisão em curso.

“Os ratings podem ser mantidos no nível atual caso a empresa demonstre padrões de governança mais sólidos e capacidade de manter a relação dívida/capitalização consolidada em até 80%, enquanto a cobertura de juros por fluxo de caixa permaneça em torno de 1,5x e o indicador de fundos das operações (FFO) sobre dívida líquida fique acima de 7,5%”, detalha.

Além disso, a Moody’s diz que seria necessário evidenciar liquidez adequada para operar confortavelmente sem fontes externas por um período mínimo de 12 a 18 meses.

Rating da Aegea Finance

A Moody’s avalia ainda o rating da Aegea Finance pode ser rebaixado caso seja notada uma deterioração sustentada na geração de caixa interna para suportar o serviço da dívida, em meio a flexibilidade limitada para distribuição de dividendos das subsidiárias operacionais.

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“Pressão negativa sobre a Aegea Saneamento também pode surgir se, após os ajustes, a dívida consolidada sobre capitalização ultrapassar 85%, se nossa avaliação prospectiva indicar que a cobertura de juros por fluxo de caixa provavelmente não será mantida acima de 1,5x de forma sustentada, ou se o aumento da alavancagem não seguir uma trajetória claramente decrescente”, explica.

Por fim, a Moody’s afirma que um rebaixamento também pode resultar de acesso mais fraco aos mercados de crédito ou de menor disposição dos acionistas em fornecer suporte financeiro.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
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