Greve

Greve dos caminhoneiros: relembre a crise que parou o país e derrubou o PIB em 2018

18 mar 2026, 17:20 - atualizado em 18 mar 2026, 17:20
Caminhoneiros ainda ocupam trecho da Rodovia Presidente Dutra, em Seropédica, Rio de Janeiro
Ocupação da Rodovia Presidente Dutra, em Seropédica (RJ), em 2018 | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Quase oito anos após a greve dos caminhoneiros paralisar o Brasil por dez dias em 2018, o governo federal voltou a acender o sinal de alerta diante da possibilidade de uma nova mobilização nacional da categoria.

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A pressão ocorre em meio à escalada do preço do diesel, intensificada pelos impactos da guerra no Oriente Médio.

Nesta quarta-feira (18), o tema ganhou força nas redes sociais, com uma enxurrada de publicações sobre uma possível paralisação — acendendo um alerta entre investidores e autoridades.

A preocupação não é por acaso. A última grande greve dos caminhoneiros, ocorrida durante o governo Michel Temer, provocou uma ruptura na cadeia de abastecimento do país e deixou marcas profundas na economia.

Greve dos caminhoneiros: por que o risco preocupa

O movimento teve início em 21 de maio de 2018, em um trecho da rodovia Presidente Dutra, no Rio de Janeiro. Em poucos dias, a paralisação se espalhou por 25 unidades da federação.

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Na época, o país praticamente parou. Postos ficaram sem combustível, prateleiras foram esvaziadas e cadeias produtivas inteiras interromperam suas atividades.

O impacto foi direto na economia: a paralisação retirou 1,2 ponto porcentual (pp) do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) daquele ano, segundo estimativas da época.

Alta do diesel foi o gatilho em 2018

O estopim da greve dos caminhoneiros foi a disparada do diesel após a mudança na política de preços da Petrobras (PETR4), que passou a acompanhar o mercado internacional.

Entre julho de 2017 e maio de 2018, o combustível acumulou alta de 56,5% nas refinarias, de acordo com o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). O preço saltou de R$ 1,50 para R$ 2,34 por litro, sem impostos.

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Como o diesel responde por cerca de 42% do custo do frete, a alta corroeu a rentabilidade da atividade e ampliou a insatisfação da categoria.

Reivindicações da greve dos caminhoneiros

Diante desse cenário, os caminhoneiros passaram a pressionar por medidas que aliviassem os custos e trouxessem maior previsibilidade ao setor. As principais demandas eram:

  • Redução da carga tributária sobre o diesel;
  • Zeragem de tributos como PIS/Pasep, Cofins e Cide;
  • Regras mais estáveis para a formação de preços;
  • Implementação de um piso mínimo para o frete.

Com isso, a greve dos caminhoneiros ganhou escala rapidamente, com bloqueios em rodovias por todo o país.

Como o governo reagiu à greve dos caminhoneiros

Para conter a crise, o governo federal lançou um pacote emergencial com medidas diretas sobre o preço do diesel e o setor de transporte.

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Entre as principais ações estiveram:

  • Redução de R$ 0,46 no preço do diesel;
  • Zeragem da Cide e corte de PIS/Cofins;
  • Criação da tabela de frete mínimo;
  • Isenção de pedágio para eixo suspenso de caminhões vazios;
  • Reserva de fretes da Conab para caminhoneiros autônomos.

A tabela de frete mínimo, em especial, enfrentou forte resistência de setores produtivos e passou por revisões até sua consolidação.

Impacto fiscal da greve dos caminhoneiros

A resposta à paralisação teve custo elevado para os cofres públicos naquele ano. O governo desembolsou cerca de R$ 13,5 bilhões em subsídios ao diesel, no que ficou conhecido como “bolsa caminhoneiro”.

Para viabilizar o pacote, foi necessário cortar incentivos fiscais de diversos setores e cancelar despesas, incluindo obras rodoviárias.

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Ainda assim, a reação negativa de segmentos afetados levou o Congresso a rever parte dessas medidas, ampliando o desgaste político na época.

*Com informações do Estadão e CNN Brasil

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