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‘Trade Flávio’: Gringos entram com R$ 10 bilhões na B3 no ‘after day’ do primeiro turno das eleições

07 out 2026, 11:23
day trade
(Imagem: Divulgação/B3)

Os investidores estrangeiros ingressaram com R$ 10,06 bilhões na última segunda-feira (5), dia seguinte ao primeiro turno das eleições e da confirmação de um segundo turno presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Flávio surpreendeu o mercado ao superar o presidente Lula no primeiro turno das eleições e abrir uma vantagem de 2,2 milhões de votos frente ao incumbente. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro agora é o favorito a vencer o segundo turno, em 25 de outubro, com promessas de austeridade fiscal, privatizações, desregulamentação e cortes de impostos sobre o consumo (IVA).

Na sessão, o principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa (IBOV) terminou as negociações com alta de 7,70%, aos 206.911,89 pontos, no maior nível desde 14 de abril e na maior alta diária desde março de 2020. Também foi o maior ganho no ‘day after‘ do primeiro turno desde 2002.

O iShares MSCI Brazil (EWZ), que é um fundo de índice (ETF, na sigla em inglês) negociado na Bolsa de Nova York (NYSE) que replica o desempenho do mercado acionário brasileiro, também disparou mais de 12%, com negociação de US$ 8,2 bilhões, o maior volume diário em 25 anos.

“O aporte de cerca de R$ 10 bilhões de investidores estrangeiros em um único pregão, o maior do ano, mostra uma reprecificação do risco Brasil. O gatilho foi o resultado eleitoral, mas o que o movimento revela vale além dele: o estrangeiro volta rápido quando enxerga melhora na relação entre risco e retorno, principalmente em mercados sensíveis a fluxo como o brasileiro”, avaliou Felipe Assunção, head comercial da Revert.

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Na avaliação de agentes do mercado, o movimento observado no início da semana pode ser apenas o início de uma onda de alocação em ativos locais.

“A perspectiva de um ambiente mais favorável para as contas públicas ajudou a destravar um forte movimento de alta no Ibovespa, fortalecimento do real e atração de investidores para o mercado local. O melhor é que o rali pode ser apenas o começo de um movimento mais estrutural”, afirma a analista Isabelle Oliveira, da Empiricus Reseach.

Segundo estimativas do Itaú BBA, investidores estrangeiros e fundos locais podem direcionar cerca de R$ 270 bilhões para o mercado acionário ao longo dos próximos anos. Desse total, R$ 123 bilhões viriam dos estrangeiros e R$ 147 bilhões da indústria doméstica de fundos, que passou os últimos anos perdendo patrimônio para aplicações conservadoras.

A visão do Morgan Stanley é ainda mais otimista. O banco estima que uma retomada das alocações dos fundos locais em ações poderia direcionar entre R$ 176 bilhões e R$ 945 bilhões para a renda variável. Hoje, os fundos de ações representam apenas 6% do patrimônio da indústria brasileira, bem abaixo dos 15% observados em 2007.

Brasil é compra?

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Desde a última segunda-feira, casas como JPMorgan, Morgan Stanley e Citi adotaram uma visão mais construtiva para a Bolsa brasileira.

O JPMorgan elevou a recomendação das ações brasileiras para “overweight (equivalente à compra)”, revertendo um rebaixamento de agosto, e afirmou que vê um perfil de risco-retorno mais favorável para o mercado após o recente resultado do primeiro turno da eleição presidencial do país.

O Morgan Stanley também elevou as ações brasileiras para overweight e projeta que o Ibovespa (IBOV) possa alcançar 250 mil pontos em um cenário positivo atrelado ao rebalanceamento fiscal e às eleições

Já o Citi elevou a exposição ao risco brasileiro e montou posição comprada em IBOV futuro e Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F) com vencimento em 2031, sem hedge cambial.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.

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