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Guerra no Irã adia rali das Small Caps, diz BNP Paribas Asset

11 mar 2026, 7:33 - atualizado em 10 mar 2026, 16:43
Marcos Kawakami, líder de renda variável da BNP Paribas Asset Management Brasil
Marcos Kawakami, líder de renda variável da BNP Paribas Asset Management Brasil (Divulgação)

A guerra no Irã interrope por ora a expectativa de uma forte recuperação das empresas de menor capitalização no Brasil, de acordo com o líder de renda variável da BNP Paribas Asset Management Brasil – que tem R$ 83,1 bilhões sob gestão -, Marcos Kawakami.

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Ao Money Times, ele avalia que o cenário de guerra trouxe uma “incógnita de curto prazo” que altera diretamente a dinâmica de corte de juros e, consequentemente, o apetite pelas ações da Bolsa, sendo as Small Caps mais sensíveis aos juros.

Kawakami destaca que, antes do conflito, a expectativa era de uma queda da Selic ao redor de 315 bps. Com a nova realidade, esse patamar já recuou para cerca de 250 bps. “Se a guerra perdurar por mais tempo e o petróleo trabalhar próximo dos US$ 100, teremos revisões de inflação para cima”, alerta o executivo.

Ele explica que, se o Banco Central for forçado a cortar a Selic muito menos do que o inicialmente previsto, o investidor local — que já tem pouca exposição à bolsa — pode retirar ainda mais dinheiro do mercado.

O especialista da BNP Paribas lembra que as Small Caps são empresas com maior perspectiva de crescimento e, portanto, possuem o que se chama de “maior duração de fluxo de caixa”.

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“Qualquer aumento de taxa de desconto impacta mais as empresas de maior duração”, afirma Kawakami. Em contraste, as Large Caps são empresas maduras, com geração de caixa imediata e maiores dividendos, o que as torna mais resilientes.

“Normalmente, as empresas com mais crescimento tendem a ser mais alavancadas; elas precisam de financiamento para investir no curto prazo e crescer lá na frente. Isso também é prejudicado com juros maiores”, reforça Kawakami.

Kawakami reconhece que era um dos entusiastas do rali das Small Caps no início do ano, impulsionado pelo forte fluxo estrangeiro.

No entanto, o cenário macroeconômico atual o fez mudar a estratégia. “Dado essa incerteza com relação a prazo e horizonte de guerra, eu prefiro não enfatizar Small Caps versus Large Caps”, pontua.

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Para o líder de renda variável, o retorno ao otimismo anterior depende diretamente da geopolítica. Kawakami explica que, se houver um fim da guerra mais antecipado, a performance deve retornar ao que era no período pré-conflito.

“Nesse caso, eu deveria voltar a favorecer as Small Caps”, conclui, reiterando que, por ora, a cautela prevalece devido à pressão inflacionária e ao custo do capital.

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Editor
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com MBA em finanças. Colaborou com revista Veja, Estadão, entre outros.
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com MBA em finanças. Colaborou com revista Veja, Estadão, entre outros.

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