Economia

Haddad afirma que há ‘espaço para melhorar as contas públicas

03 mar 2026, 5:58 - atualizado em 03 mar 2026, 5:42
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Haddad afirma que governo acompanha impactos na economia com conflito no Irã (Reuters/Adriano Machado)

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta segunda-feira (23), que há espaço para melhorar a situação das contas públicas, ao falar da política fiscal a ser adotada no próximo governo. Ele citou a aposentadoria dos militares, as emendas parlamentares, e os supersalários no funcionalismo entre as frentes que podem ser atacadas para um maior equilíbrio fiscal.

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“Se o próximo governo fizer exatamente o mesmo esforço que este governo fez, as condições de estabilidade e trajetória da dívida vão ser conseguidas”, afirmou Haddad durante aula magna na abertura do ano letivo na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP.

Posicionando-se contra cortes de benefícios sociais, Haddad disse que o ministro da Fazenda não precisa de uma “serra elétrica”, mas sim de uma “chave de fenda” – ou seja, uma ferramenta para corrigir desajustes, sem prejudicar as camadas vulneráveis da população.

“Serra elétrica vai machucar muita gente, como está acontecendo aí mundo afora. Não precisa disso. Se fizer o mesmo esforço que fez, preservando a base da pirâmide, a gente tem condição de ter crescimento sustentável”, declarou Haddad ao responder a uma pergunta sobre o próximo governo.

O ministro disse que, por meio, principalmente, do corte de benefícios a empresários, os chamados gastos tributários, o atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai entregar as contas primárias em condição próxima de zero, após herdar contas do governo anterior que levaram a um déficit primário de R$ 230 bilhões em 2023.

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“Não tenho receio do que precisa ser feito, do ponto de vista de preservação de direitos sociais importantes, que são caros a todos nós, mas, ao mesmo tempo, de dar uma resposta para a sustentabilidade fiscal”, declarou Haddad.

O ministro reclamou ainda que, enquanto a direita o chama de “gastão”, a esquerda trata ele como um austericida.

“Como é que eu posso ser as duas coisas simultâneas? Alguém está errado, e acho que os dois lados estão errados. O lado do austericida está erradíssimo … Tudo foi feito de maneira a preservar os direitos sociais. Mas isso tudo somado com a proporção do PIB, caiu, porque a economia cresceu. Como a economia cresceu, esse gasto como proporção do PIB ficou um pouco menor”, declarou Haddad aos estudantes de economia.

Impactos conflito no Irã no Brasil

Um pouco antes de começar a aula magna na FEA/USP, Haddad disse à jornalistas que ainda é cedo para avaliar os impactos da escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre as variáveis macroeconômicas, a não ser que o conflito venha a escalar ainda mais. De acordo com ele, o Ministério da Fazenda está acompanhando o conflito, mas destacou que a economia brasileira está bem e que uma eventual escalada na guerra vai determinar muita coisa.

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“Vamos aguardar e eventualmente estar preparados para uma piora no ambiente econômica”, disse o ministro.

De acordo com Haddad, o Brasil tem uma pauta de exportação superavitária. “Mas ninguém está contando com isso para tirar vantagem, muito pelo contrário, o Brasil espera um mundo de paz e tranquilidade”, ponderou o ministro, acrescentando que o presidente Lula tem sido uma voz importante internacional, no sentido de buscar a paz e resolver os conflitos, e tem procurado fortalecer as Nações Unidas, o Conselho de Segurança visando o ambiente de paz.

“Mas nós vamos aguardar e eventualmente nos prevenir se houver necessidade de uma outra medida. Nesse momento nós vamos acompanhar com cautela e eventualmente estar preparado para uma piora do ambiente econômico, que nesse momento é difícil prever o que vai acontecer”, reiterou o ministro.

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