Eleições 2026

Haddad vs Tarcísio: Casas Bahia (BHIA3) vira tema em debate na Globo; ‘deve administrar muito mal’

30 set 2026, 0:19 - atualizado em 30 set 2026, 0:32
(Imagem: Reprodução)

Quem ligou a televisão no final do segundo bloco do debate da TV Globo para o governo de São Paulo entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) ficou confuso. Em vez de discussões sobre saúde ou educação no estado, foi a situação fiscal do país que dominou o embate. Um presságio das eleições de 2030?

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Tudo começou quando Tarcísio perguntou sobre a situação das inúmeras empresas que entraram em recuperação judicial. Ele citou Casas Bahia (BHIA3), Tok&Stok, Habib’s e Marabraz.

“Infelizmente, nós temos 9 milhões de empresas com dívidas, dívidas que superam os R$ 200 bilhões, um recorde de recuperações judiciais. A gente está tendo problema no crédito”, afirmou o atual governador.

Em resposta, Haddad, que comandou o Ministério da Fazenda no governo Lula, lembrou o déficit que o então ministro da Economia, Paulo Guedes, deixou para o atual governo, de quase R$ 200 bilhões.

“Você esteve na minha sala em fevereiro de 2023, cobrando o calote que o Bolsonaro deu no Doria, e eu paguei. Ao contrário do que Bolsonaro e Guedes fizeram, eu fui lá e paguei, porque eu não te discriminei”, disse.

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Haddad também não se furtou a criticar as altas taxas de juros, um dos principais fatores apontados para o endividamento das companhias.

“É a mesma que eu recebi. Ela devia estar mais baixa. Eu recebi uma taxa de juros de 13,75%, e ela está 13,75% agora”, disse.

Ainda segundo Haddad, a situação das contas públicas hoje é melhor do que a deixada pela gestão de Jair Bolsonaro.

“E você tem que cobrar ajuste? Nós é que estamos fazendo, pagando o salário mínimo acima da inflação e reajustando a tabela do Imposto de Renda para R$ 5 mil e cobrando o andar de cima para que eles compensem quem vai deixar de pagar imposto.”

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Por fim, a Casas Bahia voltou a ser citadas. Haddad relembrou as acusações de pedofilia contra o antigo dono e fundador da varejista, Samuel Klein.

“Ninguém fala de Casas Bahia, porque pedófilo, que deve administrar muito mal a sua empresa, ele que pague, ele que pague pelo que ele fez. Eu não vou ficar defendendo o empresário aqui, porque é criminoso. Não vou.”

Milei e dívida

Tarcísio voltou a citar as contas públicas. Ele lembrou que o governo Bolsonaro foi afetado pela pandemia, mas, no entanto, entregou o governo com 17% de despesa primária em relação à dívida bruta.

“Você tinha uma relação dívida/PIB na casa de 80%. Isso caiu para 71% e hoje dá quanto? 83%. Hoje a gente tem uma dívida de R$ 10 trilhões. A gente tem um déficit nominal de 8,6% do PIB. E será que isso é razoável?”

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Ainda segundo Tarcísio, o governo federal está gastando muito.

“E aí, não admitir que o governo está gastando muito, que as pessoas estão sofrendo, o cidadão está sofrendo, o carrinho do supermercado está mais vazio, as pessoas estão mais endividadas porque o governo gasta muito e não faz ajuste, a gente poderia classificar isso como negacionismo fiscal.”

Haddad disse ainda que o modelo ideal de Tarcísio é o do presidente da Argentina, Javier Milei, que, inclusive, esteve em São Paulo para apoiar o candidato.

“Vocês querem o Milei aqui, né? Quer dizer, vocês forneciam osso e agora aquele cara de burro aqui no Brasil. É isso? Esse é o plano econômico de vocês?”, questionou o petista.

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Tarcísio respondeu: “Olha, o Milei pegou uma situação muito complexa lá e está indo bem”.



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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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