Ibovespa estende perdas com ‘risco Brasil’ ainda no radar dos investidores; dólar sobe
O Ibovespa (IBOV), após uma sessão marcada pela volatilidade, encerrou o dia em queda, marcando a sétima sessão consecutiva de baixa, com os investidores ainda digerindo o cenário eleitoral e os riscos fiscais para o próximo governo.
Nesta quarta-feira (12), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com queda de 0,23%, aos 167.491,07 pontos.
Já o dólar à vista encerrou as negociações a R$ 5,1799, com alta de 0,37%.
Por aqui, os investidores ainda avaliam os impactos da entrada do “risco Brasil” na bolsa, diante do cenário eleitoral e riscos fiscais mais adiante.
Na avaliação do economista e head de renda variável da Fami Capital, Gustavo Bertotti, indepentemente de quem for o vencedor das eleições presidenciais, o Brasil terá que passar por um ajuste fiscal crível à frente.
Segundo Bertotti, como observado já na véspera, esses fatores pressionam a curva de juros futuros com a elevação do prêmio de risco.
A leitura é compartilhada por Régis Chinchila, analista de research da Terra Investimentos. “O mercado começa a exigir um prêmio maior para carregar ativos brasileiros diante da percepção de que o país segue sem um planejamento fiscal convincente de médio e longo prazo.”
Altas e quedas do Ibovespa
Hoje, os bancos pesaram novamente no Ibovespa. O Índice Financeiro (IFNC) recuou 0,72%, puxado pela baixa de 1,46% (R$ 38,43) dos papéis do Itaú (ITUB4).
Ainda entre as “peso-pesado” do índice, as ações da Petrobras (PETR4;PETR3) fecharam em queda, apesar da ligeira alta do petróleo Brent. PETR3 caiu 0,45% (R$ 46,32) e PETR4 teve baixa de 0,50% (R$ 41,45).
Por outro lado, a Vale (VALE3), que detém 11% de participação do índice, avançou 0,74%, a R$ 73,18, em linha com o ligeiro avanço do minério de ferro na bolsa de Dalian.
Bancos, Petrobras e Vale correspondem a 50% da carteira do IBOV.
A ponta negativa do IBOV, porém, foi liderada por Braskem (BRKM5), com queda de 7,80% (R$ 5,20), enquanto a ponta positiva foi encabeçada pela Embraer (EMBJ3), com alta de 4% (R$ 96,18).
Após reunião com o diretor de RI da Embraer, Guilherme Paiva, e sua equipe, para discutir as perspectivas de médio e longo prazo da companhia, os analistas da XP Investimentos estão incrementalmente mais construtivos em relação à perspectiva de lucros da Embraer.
“Embora a última revisão do guidance possa ter contado com fatores não operacionais, vemos espaço para uma lucratividade estruturalmente mais alta em todo o portfólio, potencialmente sustentando novas revisões de lucros no futuro”, escreveram os analistas.
Exterior
Os índices de Wall Street encerraram o pregão sem direção única com a retomada das posições em inteligência artificial e o impasse nas negociações para a reabertura do Estreito de Ormuz no Oriente Médio.
Além disso, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos (EUA) avançou 0,1% no mês de julho, informou o Departamento do Trabalho nesta quarta-feira. Para comparação, em junho, o índice recuou 0,4%.
O dado veio em linha com as estimativas do mercado. O dado anualizado desacelerou de 3,5% em junho para 3,4% em julho.
Confira o fechamento dos índices:
- Dow Jones: -0,04%, aos 53.770,27 pontos;
- S&P 500: +0,26%, aos 7.748,50 pontos;
- Nasdaq: +0,54%, aos 26.588,488 pontos.
Na Europa, os mercados terminaram a sessão em tom negativo. O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em queda de 0,16%, aos 659,48 pontos.
Na Ásia, os índices fecharam o pregão sem direção única: o índice Nikkei, do Japão, subiu 0,83%, aos 67.524,06 pontos, e o índice Hang Seng, de Hong Kong teve queda de 0,83%, aos 25.440,17 pontos.