Ibovespa renova recorde pelo 3º dia seguido e alcança os 175 mil pontos; dólar fecha no menor nível desde novembro
O Ibovespa (IBOV) renovou os recordes intradiário e de fechamento pela terceira sessão consecutiva, ainda beneficiado pela rotação global.
Nesta quinta-feira (22), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com alta de 2,20%, aos 175.589,35 pontos, em novo recorde nominal histórico. A máxima anterior foi registrada no dia anterior, quando o Ibovespa fechou aos 171.816,67 pontos.
Durante a sessão, o índice também renovou a maior pontuação intradia ao ultrapassar os 177 mil pontos.
Já o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações a R$ 5,2845, com queda de 0,68%.
No cenário doméstico, as movimentações em Brasília com a proximidade das eleições ficaram no radar.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, quer definir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nomeação do seu secretário-executivo, Dario Durigan, como chefe da pasta após sua saída do cargo, prevista para as próximas semanas, disseram duas fontes à Reuters.
Para o posto de número dois da pasta, a ser deixado por Durigan, Haddad avalia indicar o atual secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, em um desenho que indicaria continuidade da gestão adotada até o momento no ministério.
Segundo as fontes, o ministro ainda discute quem comandaria o Tesouro, se confirmado o cenário.
Na semana passada, Haddad afirmou que pretende deixar o cargo ainda neste mês de janeiro, mas não especificou uma data.
Altas e quedas do Ibovespa
A entrada de fluxo estrangeiro manteve o Ibovespa (IBOV) renovando recordes, com apoio dos ‘pesos-pesados.
As ações da Vale (VALE3) romperam a cotação de R$ 83, em nova máxima histórica, com giro financeiro de mais de R$ 4,6 bilhões – cerca de 11% do fluxo financeiro movimentado pela B3 hoje. Os papéis da mineradora também foram os mais negociados no mercado brasileiro, com quase 90 mil negócios.
Já Petrobras (PETR4), que chegou a subir mais de 2% durante o pregão, foi pressionada pela queda do petróleo no mercado internacional e encerrou em leve queda. O contrato futuro do Brent mais líquido, para março, recuou 1,81%, a US$ 64,06 o barril na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).
Os bancos, que também integram os pesos-pesados do índice, avançaram em bloco com os investidores acompanhando os desdobramentos do Caso Master e will bank e o pagamento aos credores pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Os bancos, Vale e Petrobras juntos corresponde a 50% da carteira teórica do Ibovespa.
A ponta positiva do Ibovespa foi liderada por Cogna (COGN3), pela segunda sessão consecutiva. Depois de avançarem 11% na véspera com elevação de recomendação e preço-alvo pelo BTGPactual, as ações da companhia subiram mais de 6% com o Santander reiterando que os investidores têm demonstrado uma visão construtiva para o setor de educação.
O banco ainda destacou que a Cogna é um dos papéis preferidos pelos investidores no curto prazo, com a perspectiva de dinâmicas operacionais positivas e potencial revisão para cima de resultados.
A ponta negativa foi encabeçada RD Saúde (RADL3), que recuou mais de 3% em ajuste técnico. PetroReconcavo (RECV3) e Prio (PRIO3) também se destacaram entre as maiores baixas, na esteira do desempenho do petróleo Brent.
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Exterior
Os índices de Wall Street estenderam os ganhos da sessão anterior, com alívio nas tensões geopolíticas e dados econômicos – que reforçaram a expectativa de manutenção dos juros por algum tempo.
Ontem (21), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não usará da força para “conquistar” a Groenlândia, em discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos.
Ele também suspendeu tarifas de 10%, que entrariam em vigor em 1º de fevereiro, sobre produtos da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido – todos já sujeitos a tarifas impostas por Trump –, com as negociações de um acordo sobre ilha do Ártico.
Já nesta quinta-feira, Trump disse que o acordo com a Otan permitirá acesso total e permanente dos EUA à Groenlândia, mas sem comentar detalhes. O presidente norte-americano também lançou o ‘Conselho da Paz’, em Davos.
Os dados econômicos também movimentam o pregão. O índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês), subiu 0,2% em novembro ante outubro. Na comparação anual, a alta foi de 2,8%. Os números ficaram em linha com a expectativas do mercado.
O PCE é a medida de inflação de referência para o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA).
Já o Produto Interno Bruto (PIB) teve alta anualizada de 4,4% no terceiro trimestre de 2025, de acordo com a segunda estimativa do Departamento de Comércio do país.
Após os dados, o mercado manteve as apostas de manutenção dos juros pelo Fed, na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, na próxima decisão de política monetária, que acontece na semana que vem. A previsão de retomada do ciclo de afrouxamento monetário segue apenas a partir de junho.
Confira o fechamento dos índices:
- Dow Jones: +0,63%, aos 49.384,01 pontos;
- S&P 500: +0,55%, aos 6.913,35 pontos;
- Nasdaq: +0,91%, aos 23.436,02 pontos.
Na Europa, os principais índices terminaram as negociações em forte alta com o recuo de Trump. O índice pan-europeu Stoxx 600 teve avanço de 1,03%, aos 608,86 pontos.
Na Ásia, os índices também fecharam em tom positivo. O índice Nikkei, do Japão subiu 1,73%, aos 53.688,89 pontos. Já o índice Hang Seng, de Hong Kong, teve ganho de 0,17%, aos 26.629,96 pontos.