Ibovespa cai 1% com incertezas sobre guerra no Irã e IPCA-15 acima do esperado
O Ibovespa (IBOV) acompanhou a cautela externa com o conflito no Irã e renovou os temores de choques inflacionários com o IPCA-15 acima do esperado e novas projeções do Banco Central.
Nesta quinta-feira (26), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com queda de 1,45%, aos 182.732,67 pontos.
Já o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações a R$ 5,2562, com alta de 0,69%.
Por aqui, o mercado dividiu as atenções entre dados de inflação e perspectivas do Banco Central (BC) para a economia.
A prévia da inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), avançou 0,44% em março, puxada por Alimentação e Bebidas e Despesas Pesoais. A estimativa era de alta de 0,29% neste mês, de acordo com a mediana das projeções do Broadcast.
Em 12 meses, o IPCA-15 subiu 3,90% – dentro do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC), que é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.) para cima ou para baixo.
Segundo economistas consultados pelo Money Times, as surpresas altistas da leitura partiram de itens considerados mais voláteis, como alimentos e passagens aéreas.
Além disso, o Banco Central revisou para cima suas projeções de inflação no chamado horizonte relevante — o período em que o Comitê de Política Monetária (Copom) avalia os efeitos de sua política sobre a economia.
Segundo o Relatório de Política Monetária (RPM), a expectativa para o terceiro trimestre de 2027 subiu 0,1 ponto percentual, para 3,3%.
Altas e quedas do Ibovespa
Apenas oito ações fecharam em alta no Ibovespa: Brava Energia (BRAV3), MBRF (MBRF3), Petrobras ON (PETR3), Petrobras PN (PETR4), Prio (PRIO3), Vamos (VAMO3), PetroReconcavo (RECV3) e Minerva (BEEF3).
Em destaque, as petroleiras subiram em bloco com apoio do petróleo, com a continuidade das incertezas geopolíticas e temor de uma nova escalada na tensão entre Estados Unidos e Irã. Os contratos mais líquidos do Brent, referência para o mercado internacional, para junho subiram 4,61%, a US$ 101,89 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Petrobras (PETR4;PETR3), além do desempenho do petróleo, repercutiu o anúncio da descoberta de petróleo no campo de Marlim Sul, no pré-sal da Bacia de Campos.
A estatal também ampliou a oferta de gasolina e diesel aos seus clientes para entrega em abril, dentro da dinâmica de atendimento de contratos comerciais, após distribuidores terem alertado para riscos de abastecimento com a recente disparada nos preços do petróleo.
PETR4 foi a ação mais negociada da B3 com 73,9 mil negócios e giro financeiro de US$ 2,8 bilhões. O papel fechou com alta de 1,09%, a R$ 48,02. PETR3 terminou o dia com ganho de 2,16%, a R$ 53,37.
Já a ponta negativa foi liderada por Braskem (BRKM5), com queda de 7,22% (R$ 10,15), na expectativa pelo balanço do quarto trimestre (4T25), a ser divulgado ainda hoje.
“Esperamos que a Braskem apresente um Ebitda (resultado operacional) fraco no quarto trimestre de 2025 e em 2026, principalmente devido a spreads mais baixos e incertezas no cenário econômico global e no ambiente de competitividade petroquímica”, escreveram os analistas do Citi, Gabriel Barra, Andrés Cardona e Pedro Gama, em relatório.
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Exterior
Os índices de Wall Street tiveram mais um dia de perdas com incertezas sobre a duração no conflito no Oriente Médio. Em destaque, o índice Nasdaq caiu 10% em relação a máxima histórica e entrou em território de correção.
Confira o fechamento dos índices:
- Dow Jones: -1,01%, aos 45.960,11 pontos;
- S&P 500: -1,74%, aos 6.477,16 pontos;
- Nasdaq: -2,38%, aos 21.408,08 pontos.
Na Europa, os principais índices também encerraram em tom negativo, com renovação das incertezas sobre o conflito no Irã. O índice pan-europeu Stoxx 600 terminou as negociações com queda de 1,13%, aos 580,84pontos.
Na Ásia, os índices fecharam em queda. O índice Nikkei, do Japão, recuou 0,27%, aos 53.603,65 pontos, e o índice Hang Seng, de Hong Kong, teve baixa de 1,89%, aos 24.856,43 pontos.