Ibovespa tem novo recorde aos 184 mil pontos à espera de Copom; dólar fica estável a R$ 5,20
O Ibovespa (IBOV) manteve o ritmo de fortes ganhos da sessão anterior, ganhou quase 3 mil pontos durante a sessão e bateu um duplo recorde com decisão de juros nos Estados Unidos e à espera de uma manutenção da Selic no Brasil.
Nesta quarta-feira (28), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com alta de 1,52%, aos 184.691,05 pontos. O recorde anterior foi registrado ontem (27), quando o Ibovespa encerrou aos 181.919,13 pontos.
Durante a sessão, o índice também renovou o recorde nominal intradia ao superar os 185 mil pontos.
Já o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações estável a R$ 5,2066, ainda no menor nível desde maio de 2024.
No cenário doméstico, o mercado ficou na expectativa pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. A expectativa é de manutenção da Selic a 15% ao ano pela 5ª vez consecutiva, mas com alguma indicação de início de um afrouxamento monetário em março.
Um corte nos juros já nesta decisão também não está descartado. Uma pesquisa do BTG Pactual com gestores, traders, economistas e estrategistas, divulgada pela manhã, mostra que 76% dos entrevistados esperam a manutenção da Selic em 15%, mas 68% deles avaliam que uma redução nos juros já é “justificável”.
“Quase metade (49%) considera a decisão [de cortar a Selic] plenamente justificável à luz das condições atuais de inflação, atividade e política monetária, enquanto cerca de 20% a veem como parcialmente justificável, ainda que envolva riscos relevantes”, afirma a pesquisa.
O levantamento foi realizado entre os dias 26 e 27 deste mês. O Comitê de Política Monetária (Copom) divulga a decisão hoje após o fechamento dos mercados.
Altas e quedas do Ibovespa
O Ibovespa (IBOV) estendeu o ritmo de recordes ainda com a forte entrada de capital estrangeiro. Segundo dados da B3, o investidor estrangeiro já aportou US$ 17,7 bilhões no mercado brasileiro neste ano, sendo US$ 2 bilhões somente na última sexta-feira (23).
O fluxo de dólares tem impulsionado os pesos-pesados do índice. Vale (VALE3), por exemplo, subiu mais de 2% e as ações figuraram como as mais negociadas da B3, com mais de 62,8 mil negócios e giro financeiro de 2,25 bilhões.
Além do aporte dos gringos, o mercado reagiu à prévia operacional referente ao quarto trimestre (4T25). A mineradora produziu 90,4 milhões de toneladas de minério de ferro entre outubro e dezembro do ano passado.
O volume representa alta de 6% na comparação anual, mas queda de 4,2% frente ao terceiro trimestre, movimento já esperado pelo mercado por conta da sazonalidade do período chuvoso.
Na comparação com o mesmo período de 2024, o avanço foi sustentado pelo melhor desempenho dos sistemas Sudeste e Sul, além do ramp-up dos projetos Capanema e VGR1. Já na base trimestral, a retração reflete o menor ritmo operacional típico do fim de ano, após um terceiro trimestre mais forte.
Ainda entre os pesos-pesados, a Petrobras (PETR4) engatou o 9º dia de ganhos consecutivos, com apoio do desempenho do petróleo. O contrato futuro do Brent, referência para o mercado mundial, para março encerrou as negociações com alta de 1,17%, a US$ 67,37 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Juntos, bancos, Vale e Petrobras correspondem a 50% da carteira teórica do Ibovespa.
A ponta positiva, porém, foi liderada por Raízen (RAIZ4), que saltou mais de 17% e voltou a ser cotada acima de R$ 1,00, em meio a expectativa de reestruturação financeira da companhia. Entre as perdas, Embraer (EMBJ3) encabeçou a ponta negativa do Ibovespa mesmo após atingir mais um recorde em sua carteira de pedidos firmes.
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Exterior
Os índices de Wall Street encerraram em tom misto.
O Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed) manteve os juros inalterados, na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, como o esperado, e interrompeu o ciclo de cortes iniciado em setembro do ano passado.
Mais uma vez, a decisão não foi unânime: os diretores Stephen Miran – indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, – e Christopher Waller – um dos cotados a substituir Jerome Powell –, votaram pelo corte de 0,25 ponto percentual na taxa referencial.
Confira o fechamento dos índices:
- Dow Jones: +0,02%, aos 49.015,60 pontos;
- S&P 500: -0,01%, aos 6.978,03 pontos;
- Nasdaq: +0,17%, aos 23.857,44 pontos.
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Na Europa, os principais índices terminaram em queda. O índice pan-europeu Stoxx 600 teve recuo de 0,75%, aos 608,51 pontos.
Na Ásia, os índices fecharam em alta, ainda com especulações sobre intervenção no câmbio japonês. O índice Nikkei, do Japão, subiu 0,05%, aos 53.358,71 pontos, enquanto o índice Hang Seng, de Hong Kong, teve ganho de 2,58%, aos 27.826,91 pontos.