Ibovespa renova recorde com dados de inflação, enquanto Oriente Médio segue no radar; 5 coisas para saber antes de investir hoje (10)
O Ibovespa (IBOV) engata o terceiro dia de recordes consecutivos na expectativa de negociações para um acordo de paz definitivo no Oriente Médio neste fim de semana.
Por volta de 10h10 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira operava com alta de 0,75%, aos 196.600 pontos, em nova máxima histórica. O recorde intradia anterior foi registrado na véspera, quando o Ibovespa alcançou os 195.513,91 pontos.
O dólar à vista opera em queda ante o real, na contramão do desempenho da moeda no exterior. No mesmo horário, a moeda caía a R$ 5,0260 (-0,74%). Já o DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes, tinha recuo de 0,14%, aos 98,691 pontos.
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Radar do Mercado
5 assuntos para saber ao investir no Ibovespa nesta sexta-feira (10)
1 – Inflação acima do esperado
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) voltou a acelerar. A inflação oficial do Brasil subiu 0,88% em março, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.
No acumulado dos 12 meses, a inflação subiu 4,14% — permanecendo dentro do intervalo perseguido pelo Banco Central (BC), de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
As estimativas do mercado mostravam um avanço de 0,77% em março, segundo a mediana apurada pelo Broadcast. No acumulado dos 12 meses, a mediana indicava alta de 4,03%, acima dos 3,81% registrados em fevereiro, já encostando no teto da meta de inflação.
2 – Medidas sobre combustíveis
O Tribunal Regional Federal da 2ª Região negou um recurso da União e manteve a liminar que suspendeu a cobrança de imposto de exportação de petróleo para algumas companhias, conforme decisão judicial publicada na noite desta quinta-feira.
O governo “falhou em demonstrar o risco de perigo concreto, grave e atual emergente da manutenção da decisão agravada”, escreveu a desembargadora Carmen Silvia Lima de Arruda, acrescentando que não haveria prejuízo em aguardar o julgamento final de mérito do caso.
As petroleiras Shell, TotalEnergies, Equinor, Petrogal e Repsol Sinopec conseguiram suspender os efeitos do imposto na Justiça nessa semana.
A taxa, com alíquota de 12%, foi determinada por medida provisória pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como parte de um pacote de medidas que visa atenuar os impactos de uma disparada de preços internacionais de petróleo e de combustíveis para os consumidores brasileiros devido à guerra no Oriente Médio.
3 – Inflação nos EUA
O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos (EUA) subiu 0,9% no mês de março, informou o Departamento do Trabalho nesta sexta-feira.
A inflação norte-americana no acumulado dos últimos 12 meses soma 3,3%. Com isso, os preços ainda estão acima da meta de 2% perseguida pelo Federal Reserve (Fed).
O CPI é um dos paramêtros do mercado para calibrar as apostas de corte de juros no país, ainda que o índice inflacionário não seja a referência para o Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano).
Ontem (9), o Bureau of Economic Analysis (BEA) informou que Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE), referência inflacionária do Fed, subiu 0,4% em fevereiro, em linha com o esperado.
Já o núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, aumentou 0,4%. No comparativo anual, o índice subiu 2,8% e o núcleo, 3% .
4 – Expectativa de negogiações no Oriente Médio
Com avanço nas negociações de um cessar-fogo, a expectativa agora é de acordos de paz definitivos no Oriente Médio.
Ontem (9), o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país busca “iniciar negociações diretas com o Líbano o mais breve possível”, em comunicado.
Segundo a NBC News, na quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu que Netanyahu reduzisse a intensidade dos ataques para ajudar a garantir o sucesso das negociações com o Irã.
O chefe da Casa Branca confirmou a ligação em entrevista por telefone à emissora. “Falei com Bibi [Netanyahu], e ele vai manter um perfil discreto. Acho que precisamos ser um pouco mais discretos”, disse Trump.
Sendo assim, asconversas entre Israel e o Líbano devem ter início na próxima semana, nos EUA. Já os representantes dos EUA e do Irã devem se encontrar no sábado (11) em Islamabad, capital do Paquistão, para buscar um acordo de paz definitivo na região.
Em reação, os preços do petróleo operam próximos da estabilidade.
Nesta manhã, por volta de 10h (horário de Brasília), os contratos mais líquidos do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para junho tinham recuo de 0,13%, a US$ 95,81 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Já os contratos do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para maio tinham leve ganho de 0,12%, a US$ 90,05 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA, no mesmo horário.
5 – Possível acordo de paz entre Rússia e Ucrânia
Ontem (9), o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou um cessar-fogo durante um período de dois dias para a Páscoa Ortodoxa e esperava que o lado ucraniano fizesse o mesmo, disse o Kremlin.
Além disso, Ucrânia e Rússia estão se movendo em direção a um possível acordo para acabar com a guerra, informou a Bloomberg News, citando o principal assessor do presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy.
Kyrylo Budanov, ex-chefe da inteligência militar da Ucrânia, disse que viu progresso rumo a um acordo, mas se recusou a dizer como seria um possível compromisso sobre o território, um obstáculo fundamental.
“Nenhuma decisão final foi tomada ainda”, disse ele, de acordo com a reportagem. “Mas, em princípio, todos agora entendem claramente os limites do que é aceitável. Isso é um enorme progresso.”
“Todos eles entendem que a guerra precisa acabar. É por isso que estão negociando”, afirmou Budanov em uma entrevista à Bloomberg em 4 de abril. “Acho que não vai demorar muito.”
*Com informações de Estadão Conteúdo e Reuters