Ibovespa avança com recorde em Wall Street e acumula ganhos na semana; dólar cai a R$ 5,22
O Ibovespa (IBOV) encerrou a primeira semana de fevereiro em tom positivo, com apoio de Wall Street e de olho em balanços corporativos.
Nesta sexta-feira (6), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com alta de 0,45%, aos 182.949,78 pontos. No acumulado dos últimos cinco pregões, o Ibovespa teve ganho de 0,87%.
Já o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações a R$ 5,2204, com queda de 0,63%. Na semana, a divisa acumulou baixa de 0,52% ante o real.
No cenário doméstico, os investidores reagiram a mudanças nas expectativas do Ministério da Fazenda para os principais indicadores macroeconômicos.
A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda revisou ligeiramente para baixo sua projeção para o crescimento econômico em 2026, revendo para cima a estimativa para a inflação ao consumidor no ano.
O relatório da SPE projetou a alta do PIB neste ano em 2,3%, abaixo dos 2,4% estimados em novembro. A pasta ainda elevou de 2,2% para 2,3% a previsão de crescimento da atividade em 2025, dado que será oficializado pelo IBGE apenas em março.
Com relação à inflação, a secretaria estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará 2026 em 3,6%, contra 3,5% antes.
Na coletiva, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, disse que a estabilização da dívida pública no Brasil não será alcançada puramente pela gestão fiscal do governo, ressaltando que a melhora depende da política monetária implementada pelo Banco Central.
Mello, que está em avaliação no governo para possivelmente ocupar uma diretoria do BC, disse que a atuação harmonizada das políticas econômica, fiscal e monetária gerou efeitos positivos na inflação em 2025.
Altas e quedas do Ibovespa
O Ibovespa (IBOV) recuperou parte das perdas da véspera em dia de tom misto entre os ‘pesos-pesados’. Em destaque, as ações do Bradesco (BBDC4) fecharam em queda de 2,55%, a R$ 20,61, em reação ao balanço do quarto trimestre (4T25) e ao guidance de 2026.
O banco reportou lucro recorrente de R$ 6,5 bilhões no quarto trimestre de 2025, uma alta de 20,6% ante o mesmo período de 2024.
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) subiu 2,5 pontos porcentuais no ano e 0,5 pp no trimestre, para 15,2%.
Contudo, os investidores ficaram cautelosos quanto ao guidance. Para este ano, o banco projeta crescimento da carteira de crédito de até 10,5%. Em 2025, a expansão foi de 11%, o que indica alguma desaceleração no caminho.
Ainda entre os pesos-pesados, as ações da Petrobras (PETR4) fecharam em queda de 0,95%, a R$ 36,65, na contramão do petróleo. O contrato futuro do Brent, para abril, encerrou com avanço de 0,74%, a US$ 68,05 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Os investidores repercutiram a aquisição de 2,5% de participação no Bloco 2613, localizado no offshore da República da Namíbia, na África. Para o Citi, apesar do valor da operação não ter sido divulgado, não é esperado um desembolso relevante.
Já Vale (VALE3) também encerrou o dia em tom negativo, com recuo de 0,95%, a R$ 85,63, na esteira do desempenho do minério de ferro. O contrato mais líquido da commodity, negociado em Dalian, caiu 1,23%, a 760,50 yuans (US$ 109,60) a tonelada.
Juntos, bancos, Vale e Petrobras correspondem a 50% da carteira teórica do Ibovespa.
A ponta negativa, porém, foi liderada por CSN (CSNA3) com baixa de 3,94%, a R$ 9,51, também acompanhando o minério de ferro. Já a ponta positiva foi encabeçada por Direcional (DIRR3), que registrou avanço de 6,90%, a R$ 15,81, em meio ao alívio na curva de juros futuros.
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Exterior
Os índices de Wall Street dispararam na última sessão da semana com a recuperação do setor de tecnologia e dados acima das expectativas.
Durante a sessão, o índice Dow Jones rompeu a marca dos 50 mil pontos pela primeira vez, renovando o recorde nominal histórico intradia.
Confira o fechamento dos índices:
- Dow Jones: +2,47%, aos 50.115,67 pontos – no maior nível nominal histórico;
- S&P 500: +1,97%, aos 6.932,30 pontos;
- Nasdaq: +2,18%, aos 23.031,21 pontos.
Na Europa, os principais índices encerraram em alta. O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou com alta de 0,89%, aos 617,12 pontos. Na semana, a alta foi de 1%.
Na Ásia, os índices fecharam sem direção única. O índice Nikkei, do Japão, subiu 0,81%, aos 54.253,68 pontos, na expectativa das eleições; enquanto o índice Hang Seng, de Hong Kong, caiu 01,21%, aos 26.559,95 pontos.