Ibovespa despenca 2% com Bradesco (BBDC4); dólar sobe a R$ 4,92
O Ibovespa (IBOV) perdeu 4,5 mil pontos na sessão desta quinta-feira (7) com a reversão do apetite a risco no exterior em meio às incertezas geopolíticas e pressão negativa das ‘blue chips‘.
Hoje, o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com queda de 2,38%, aos 183.218,26 pontos.
Já o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações a R$ 4,9234, com alta de 0,05%.
Por aqui, os investidores dividiram as atenções com balanços corporativos, dados macroeconômicos e o encontro entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos.
Em destaque, a produção industrial no Brasil desacelerou em março, mas ainda marcou o terceiro mês seguido de crescimento. Em março, a indústria teve alta de 0,1% na produção em relação ao mês anterior, resultado acima da expectativa em pesquisa da Reuters de queda de 0,2%.
Na rede social Truth, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a reunião com o presidente Lula ‘correu muito bem’ e destacou que a conversa foi pautada por comércio e tarifas.
Ainda na publicação, Trump afirmou que os representantes dos dois países têm novas reuniões agendadas para discutir ‘pontos-chave’ e considerou que novos encontros poderão ser agendados nos próximos meses, se necessário.
A reunião entre os presidentes durou cerca de 3 horas e terminou sem a tradicional sessão de perguntas no Salão Oval.
No final da tarde, Lula disse que “saiu muito satisfeito da reunião” e reafirmou que o Brasil não “abrirá mão da democria e da soberania”, em entrevista coletiva na Embaixada do Brasil em Washington.
Altas e quedas do Ibovespa
A queda do Ibovespa foi puxada pelos ‘pesos-pesados’. As ações da Petrobras (PETR4;PETR3), por exemplo, recuaram de cerca de 2%, em dia de volatilidade nos preços do petróleo.
PETR3 terminou o dia com baixa de 1,88%, a R$ 50,55. PETR4 registrou queda de 2,22%, a R$ 46,22, sendo a segunda ação mais negociada na B3 – com 62,9 mil negócios e giro financeiro de R$ 3,088 bilhões.
Vale (VALE3), que detém 11% de participação no IBOV, também acompanhou a cautela doméstica, na contramão do desempenho do minério de ferro. VALE3 caiu 1,43%, a R$ 80,07. O contrato mais negociado do minério de ferro, para setembro, fechou com alta de 0,62%, a 817 yuans (US$ 119,95) a tonelada na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China.
Entre as blue chips, porém, Bradesco (BBDC4) foi o destaque do dia. Os papéis do banco recuaram 3,89%, a R$ 18,52, perto de devolver os ganhos do ano, em reação ao balanço do primeiro trimestre (1T26).
Para a XP, o banco entregou resultados mistos, com lucro líquido recorrente de R$ 6,8 bilhões, reforçando a trajetória de recuperação.
Mas os números trouxeram dúvidas em relação à qualidade de crédito e ao consumo de capital. Segundo a casa, o custo do risco subiu 3,5%, pressionado por um caso específico no atacado e pela normalização do segmento massificado, embora os índices de inadimplência e cobertura sigam amplamente sob controle.
Apesar da forte queda dos ‘pesos-pesados’, Vamos (VAMO3) liderou a ponta negativa do IBOV, também em reação aos balanços do 1T26. Na ponta positiva, Smart Fit (SMFT3) encabeçou os ganhos com salto 11,66%, a R$ 20,30, com o mercado avaliando positivamente os números trimestrais.
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Exterior
Os índices de Wall Street encerraram em forte queda e interromperam a sequência de recordes com retomada das incertezas sobre as negociações no Oriente Médio.
De acordo com o Wall Street Journal, a Arábia Saudita e o Kuwait suspenderam as restrições impostas ao uso de suas bases e espaço aéreo pelos EUA, o que abre espaço para o governo Trump retomar a operação de escolta de embarcações comerciais no Estreito de Ormuz – chamada de “Projeto Liberdade”.
Do outro lado, Irã criou uma agência para controlar o fluxo marítimo pelo Estreito de Ormuz, segundo a agência de notícias Associated Press.
Confira o fechamento dos índices:
- Dow Jones: -0,63%, aos 49.596,97 pontos;
- S&P 500: -0,38%, aos 7.337,11 pontos;
- Nasdaq: -0,13%, aos 25.806,196 pontos.
Na Europa, o índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou as negociações com recuo de 1,10%, aos 616,42 pontos.
Na Ásia, o índice de Nikkei, do Japão, superou os 62 mil pontos pela primeira e encerrou o pregão em recorde aos 62.833,84 (+5,58%). O índice Hang Seng, de Hong Kong, subiu 1,57%, aos 26.626,28 pontos.