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Ibovespa caminha para melhor desempenho mensal desde 1999

27/11/2020 - 16:08
Ibovespa Ações Mercados B3SA3
O Ibovespa sobe 0,77%, a 111.078,73 pontos, acumulando alta de 4,75% na semana e valorização de 18,2% no mês (Imagem: B3/Divulgação)

O Ibovespa (IBOV) caminhava para a quarta semana consecutiva de valorização, o que deve resultar na maior alta mensal desde o final de 1999, beneficiado pelo noticiário favorável sobre uma vacina contra o Covid-19, além de fluxo de capital externo e rotação em portfólios para ações de valor e cíclicas.

Nas últimas semanas, o aumento de casos de coronavírus na Europa e Estados Unidos acabou sendo ofuscando por sinais promissores sobre a eficácia das vacinas, entre elas a da Pfizer, desenvolvida em parceria com a BioNTech, que pode ser aprovada pelo órgão regulador norte-americano ainda neste ano.

“O principal ponto que embasa esse otimismo foi o avanço das principais vacinas da Covid-19 com níveis de eficiência maiores, trazendo alívios para os mercados globais”, destacou o sócio e líder de renda variável na BlueTrade, Abner Gonçalves.

Ainda no cenário externo, o começo da transição de governo nos Estados Unidos trouxe alívio, assim como agradaram as primeiras informações ventiladas sobre a potencial equipe de Joe Biden, com destaque para a chance de que a ex-chair do Federal Reserve Janet Yellen comande o Tesouro norte-americano.

“Trump começa a admitir a vitória de Biden, e o próprio Biden que trazia um certo receio inicialmente já adotou um discurso bem conservador essa semana, o que fez os índices de volatilidade voltarem para os patamares pré-pandemia em níveis bem estáveis” acrescentou Gonçalves.

A bolsa brasileira ainda foi beneficiada pela entrada de estrangeiros no mercado secundário de ações, acompanhando o movimento de outros emergentes, com dados da B3 mostrando saldo líquido de cerca de 30 bilhões de reais em novembro até o dia 25, o que ajudou a reduzir o déficit para 53 bilhões de reais no ano.

Estrategistas também apontaram uma rotação nos portfólios de ações para papéis de empresas de ‘valor’ e ‘cíclicas’, com maior peso no Ibovespa, em detrimento de ações de ‘crescimento’, como as de tecnologia, como mais um componente para a forte recuperação, após acumular perdas nos três meses anteriores.

Além disso, a temporada de resultados das empresas brasileiras do terceiro trimestre mostrou dados melhores do que o esperado por muitos analistas, endossando avaliações de que o pior dos efeitos da pandemia de Covid-19 nas companhias do país ficou para trás.

Nesta sexta-feira, o Ibovespa sobe 0,77%, a 111.078,73 pontos, acumulando alta de 4,75% na semana e valorização de 18,2% no mês. Este ganho mensal, se mantido, será o maior desde a alta de 24% em dezembro de 1999. No ano, porém, ainda mostra declínio de quase 4%.

O índice Small Caps avançava 0,33%, a 2.669,68 pontos, com acréscimo de quase 5% na semana e alta de 18,6% no mês, enquanto, em 2020, ainda mostra desempenho negativo de 6%.

O volume negociado no pregão nesta sexta-feira somava 19,3 bilhões de reais.

Destaques do acumulado do mês:

Petrorio (PRIO3) avança 67%, tendo como principal gatilho da forte valorização o anúncio de que comprou fatias da britânica BP em dois blocos no pré-sal, em uma rara transação na região altamente produtiva, por 100 milhões de dólares, o que tornará a companhia brasileira operadora dos ativos.

 

Azul (AZUL4) sobe 63,7% e Gol(GOLL4) mostra alta de 47,6%, em meio ao sentimento mais positivo relacionado ao desenvolvimento de uma vacina contra o coronavírus, uma vez que o setor foi um dos mais afetados pela pandemia, com ambas as companhias reportando recuperação da demanda e oferta de voos. No ano, elas ainda contabilizam perda de 36,7% e 37%, respectivamente.

 

CVC Brasil (CVCB3) valoriza-se 46,8%, também na esteira das apostas atreladas a uma vacina contra o Covid-19, na esperança de que desencadeie uma retomada no setor de turismo. A companhia também concluiu neste mês a reestruturação de 1,5 bilhão de reais e divulgou resultados revisados.

 

Fleury (FLRY3) cai 1,8%, com alguns analistas ainda enxergando incertezas para o cenário de recuperação em termos de demanda e retornos estruturais após várias novas iniciativas de receita, principalmente quando os testes de Covid-19 desaparecerem, embora o resultado do terceiro trimestre conhecido no começo do mês tenha sinalizado que a demanda está se recuperando rapidamente.

 

Magazine Luiza (MGLU3) recua 2,4 %, em meio ao movimento de realização de lucros nos papéis associados ao comércio eletrônico, que acumularam fortes altas. No ano, esse papel ainda contabiliza uma elevação de quase 102%.

Veja o comportamento dos principais índices setoriais na B3 no acumulado do mês:

– Índice financeiro: +19,7%

– Índice de consumo: +11,3%

– Índice de Energia Elétrica: +10,9%

– Índice de materiais básicos: +14,15%

– Índice do setor industrial: +12,4%

– Índice imobiliário: +20,50%

– Índice de utilidade pública: +11,4%

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Última atualização por Bruno Andrade - 27/11/2020 - 16:08