Mercados

Juros futuros sobem com fim do acordo entre EUA e Irã, mas mercado mantém aposta de corte na Selic em agosto

08 jul 2026, 18:14 - atualizado em 08 jul 2026, 18:16
selic - juros - economia - brasil
(Imagem: Hwangdaesung/ iStock)

A curva de juros futuros avançou em toda os vencimentos, com alta de mais de 10 pontos-base nos vértices de médio prazo, na esteira do desempenho dos títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries) e a forte valorização do petróleo após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar o fim do cessar-fogo com o Irã.

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A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, fechou com avanço de 4 pontos-base, a 14,055% ante 14,015% do fechamento anterior.

Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações em 14,380% ante 14,275% do fechamento anterior, alta de 10 pontos-base.

A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, subiu 11 pontos-base e terminou o dia a 14,440% ante 14,330% do fechamento da última terça-feira (7).

O mercado de títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, subiram com a escalada de tensões geopolíticas.

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Por volta de 18h (horário de Brasília), o yield do Treasury de dois anos – mais sensível à política monetária – operava a 4,22% ante 4,162% do ajuste anterior.

Já o retorno do título de dez anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito — subia para 4,481%, de 4,529% ontem.

O que mexeu com os DIs hoje?

Pela manhã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o memorando de entendimento assinado com o Irã para encerrar o conflito “acabou”, acrescentando que não deseja manter negociações com Teerã.

O acordo provisório de cessar-fogo firmado entre Washington e Teerã, com mediação do Paquistão, tinha como objetivo estabelecer um período de 60 dias para negociações de um acordo permanente.

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No entanto, as conversas indiretas realizadas no Catar terminaram sem qualquer sinal de avanço, e as Forças Armadas dos Estados Unidos lançaram uma nova onda de ataques contra o Irã na terça-feira.

Na véspera das declarações de Trump, os EUA revogaram a licença que permitia ao Irã vender petróleo, após três navios-tanque terem sido atingidos por projéteis no Estreito de Ormuz.

Em resposta, o país persa afirmou que fechará o Estreito de Ormuz e atacará “duas vezes mais” alvos inimigos caso os EUA faça novos ataques, segundo PressTV.

A escalada das tensões geopolíticas e a disparada dos preços do petróleo reacenderam os temores de inflação e, consequentemente, juros globais elevados por mais tempo – fazendo os investidores embutir mais prêmio na curva de juros futuros.

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O contrato mais líquido do Brent, referência para o mercado internacional, encerrou as negociações com alta de 5,20%, a US$ 78,02 na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, no maiot patamar desde 22 de junho.

“Petróleo mais caro significa um choque de custos em toda a cadeia produtiva mundial, o que pode forçar os bancos centrais, especialmente o Federal Reserve nos Estados Unidos, a manter os juros altos e restritivos por mais tempo para tentar conter a inflação”, pontuou Rebecca Nossig, analista de investimentos da Nomad, em comentário escrito.

Apesar da retomada das preocupações com a guerra no Oriente Médio, os investidores continuam a precificar um corte de 25 pontos-base na Selic na próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), em agosto.

Na última atualização, na terça-feira, a Opções do Copom apontava 78% de probabilidade de redução da Selic de 14,25% para 14% ao ano. A chance de manutenção é de 20,50%. Duas semanas atrás, em 22 de junho, os percentuais eram de 29% para corte de 25 pontos-base e 67% para manutenção.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.

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