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Coluna do Fernando Luiz

Ibovespa em queda: Como não destruir seu patrimônio?

22 ago 2023, 12:26 - atualizado em 22 ago 2023, 12:26
B3, Ibovespa, Boi magro, Queda, Ações
“Investir em ações deve ser algo feito de forma recorrente e não esporádica”, diz o colunista (Imagem: REUTERS/Carla Carniel)

Ao atingir a maior sequência de queda da história, o Ibovespa está afugentando os investidores do mercado acionário. A tese defendida por muitos de que, após o início dos cortes na taxa básica de juros (Selic) o mercado iria deslanchar, foi à bancarrota.

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Mas, o fato é que a queda da Selic já estava precificada no índice, que saiu dos cerca de 98 mil pontos em março para os 120 mil pontos alcançados em junho.

Momentos como o atual geram dúvidas e fazem com que investidores mal preparados realizem rapidamente seus prejuízos. Quando o otimismo retorna, acham que os aportes serão feitos novamente, mas não é o que acontece.

Afinal, resgatar quando o mercado corrige e aportar quando o mercado sobe está entre as atitudes que mais destroem patrimônio de “investidores” e ano após ano, eles continuam fazendo a mesma coisa.

É impossível saber para onde o mercado vai no curto prazo. Como diria Warren Buffett, no curto prazo, o mercado é somente uma máquina de votação. No longo prazo, o fundamento dos negócios suplanta a incerteza.

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Mas todos gostam de se sentirem magos do mercado, e com habilidades de prever para onde ele vai. Um dos vieses mais prejudiciais de quem pretende construir riqueza investindo.

Este movimento é comum tanto em investidores que aplicam diretamente na bolsa quanto aqueles que fazem por um fundo de investimentos, pois aportam quando a cota está alta e vendem na baixa.

Saber quando aportar pode mudar muito seu retorno no tempo. A volatilidade no preço de ativos é algo comum quando se investe em ações. E, dito isso, a melhor forma de investir em ações é não tentar adivinhar cenários, porque certamente se incorrerá em erros.

Basta ver o que ocorreu no primeiro semestre, quando as projeções dos “melhores” gestores de multimercados eram de catástrofe, o que se mostrou completamente errado. Eles também não possuem qualquer habilidade preditiva diferente de qualquer pessoa, apesar de falarem como se tivessem.

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Negócios bons performam melhor em cenários bons e de forma regular em cenários ruins. O segredo é saber o que é um negócio bom. É comum ouvirmos a frase tal ação está barata. Mas o que é barato? Uma empresa muito alavancada e que está crescendo ao redor de 30% ao ano está barata.

Mas e se a taxa de juros for para 13,75%? Aí não é muito barata. Há uma série de questões qualitativas no meio. E a maioria delas interfere em indicadores muito importantes como o retorno sobre o capital investido e a capacidade dos negócios gerar caixa livre.

Investir em ações deve ser algo feito de forma recorrente e não esporádica. Por exemplo, se a decisão do investidor for aportar R$ 100 mil em um ano. Ele deve diluir os aportes ao longo dos meses e, quando o mercado corrigir para baixo sem as pessoas entenderem o porquê, ampliar o aporte naquele momento, mas sempre devagar.

A regra de bolso que serve para quase todos os investidores é que investimentos devem ser voltados para o longo prazo e não resgatados para virar consumo. Só desta forma que você pode fazer com que os juros compostos trabalhem para você.

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Empresas, às vezes, vão mal. Mas quando a performance negativa ocorre por um motivo exógeno a elas é hora de comprar mais.

Já quando o negócio vai mal porque perdeu uma característica que tinha é o momento de reduzir a posição e verificar o que está acontecendo. Sempre, claro, trabalhando com uma margem de segurança.

É isto que gestores de fundos ficam procurando incansavelmente e que pessoas normais, enquanto ganham sua vida trabalhando em outras coisas, não tem tempo e nem o conhecimento para fazer. E ganhar de gestores em prazos curtos não é realmente um grande mérito.

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Muito é derivado de sorte. Algo que investidores mal preparados costumam se negar a aceitar. Afinal, qual risco foi assumido para conseguir o referido retorno? Vale lembrar que quase nenhum investidor sabe exatamente o que significa risco e por isto, se atentam somente para o retorno.

Retornos que valem a pena são como juros compostos. Quando o valor sobe, o efeito é multiplicador, mas quando cai, tem-se a impressão de que é pior do que parece.

Entrar certo muda seu risco tremendamente e aumentar os aportes quando o mercado cai, nas mesmas empresas, pode melhorar o efeito multiplicador dos juros compostos no tempo.

É contraintuitivo: quando o mercado cai, aumenta-se o aporte nas mesmas empresas que conhecemos, e quando o mercado sobe muito, sem explicação, reduz-se, apesar de ninguém querer isto.

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Investir tem a ver com regras e disciplina na execução. E retornos que não seguem esta premissa são muito mais derivados de sorte, do que de capacidade.

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Sócio fundador e gestor da Trópico Investimentos
Com experiência de mais de 20 anos no mercado financeiro, Fernando Camargo Luiz é sócio fundador e gestor da Trópico Investimentos, além de sócio da Garoa Wealth Management. É engenheiro formado pelo Mackenzie, com especialização em Value Investing pela Columbia Business School e gestão pela Harvard Business School.
fernando.luiz@moneytimes.com.br
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Com experiência de mais de 20 anos no mercado financeiro, Fernando Camargo Luiz é sócio fundador e gestor da Trópico Investimentos, além de sócio da Garoa Wealth Management. É engenheiro formado pelo Mackenzie, com especialização em Value Investing pela Columbia Business School e gestão pela Harvard Business School.
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