Ibovespa ‘pega carona’ em alta de Wall Street, encosta nos 165 mil pontos e renova recorde histórico
O Ibovespa (IBOV) ganha tração com a expectativa de corte nos juros dos Estados Unidos após a divulgação de novos dados de inflação norte-americana nesta sexta-feira (5), e opera aos 165 ml pontos.
Por volta de 12h40 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira alcançou os 165.035,97 pontos, com avanço de 0,35%, em nova máxima histórica. O último recorde intradia foi registrado ontem, quando o índice atingiu os 164.550,77 pontos.
Há pouco, o Departamento do Comércio dos Estados Unidos informou que o índice de preços (PCE, na sigla em inglês) subiu 0,3% em setembro, levemente acima do esperado.
O PCE, que é o índice de referência inflacionário para o Federal Reserve (Fed, Banco Central dos EUA), foi a 2,8% em um ano — ainda acima, e se afastando, da meta de 2% perseguida pelo BC norte-americano.
Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o núcleo da inflação avançou 0,2% no nono mês de 2025. No acumulado de 12 meses, os preços recuaram para 2,8%.
Após os dados, o mercado manteve a aposta de corte nos juros pelo Fed na próxima semana perto de 90%. De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, os agentes financeiros veem 87,2% de chance de uma redução do Fed Funds em 0,25 ponto percentual, o que levaria a taxa referencial para a faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
A reunião do Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) acontece entre os dias 9 e 10 de dezembro.
Por aqui, os investidores também operam na expectativa de que o afrouxamento monetário da Selic está próximo. Na última atualização, com data de referência de ontem (4), o contrato de Opções de Copom da B3 apontava a chance de 61% de o Banco Central (BC) cortar os juros em janeiro – sendo a aposta majoritária em um corte de 0,25 ponto percentual (38,5%).
Já para março, a probabilidade é de 83,5% de o BC reduzir a Selic. O corte de 0,50 ponto percentual detém a aposta majoritária, com 46,50%.
Ontem (4), dados mais fracos da economia brasileira abriram ‘a porta’ para uma flexibilização do Comitê de Política Monetária (Copom). O Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre cresceu 0,1% entre julho e setembro na comparação com os três meses imediatamente anteriores. Esse foi o resultado mais fraco desde a retração de 0,1% vista nos três últimos meses de 2024. O resultado do terceiro trimestre também ficou aquém da expectativa em pesquisa da Reuters de alta de 0,2% na comparação trimestral.
Para a próxima semana, a expectativa é de que o Copom mantenha a Selic em 15% ao ano.
Sobe e desce do Ibovespa
Com poucas movimentações corporativas, os investidores ajustam posições nesta reta final de 2025.
As ações da Braskem (BRKM5) lideram os ganhos do Ibovespa com alta de mais de 5%, em recuperação das perdas da véspera. Às 12h40, BRKM5 subia 5,88%, a R$ 8,28.
Os investidores operam na expectativa da venda da fatia de Novonor na petroquímica. Ontem (4), a Braskem negou as notícias sobre um suposto processo de venda da petroquímica.
A empresa informou que não tem conhecimento das informações veiculadas e não conduz negociações de venda, solicitando esclarecimentos aos acionistas signatários do Acordo de Acionistas.
A Novonor (ex-Odebrecht), por sua vez, declarou que mantém negociações com a IG4 Solutions LLC para um possível acordo de exclusividade, mas que nenhum documento vinculante foi assinado e não há garantia de celebração do acordo. A companhia está negociando a venda da fatia na petroquímica.
Entre os pesos-pesados, o tom também é positivo. Vale (VALE3) engata a sexta alta consecutiva, ainda com o mercado otimista com as projeções da companhia divulgadas no início desta semana. A mineradora agora estima produção entre 335 milhões a 345 milhões de toneladas de minério de ferro em 2026. Já em 2030, a projeção foi mantida em torno de 360 milhões de toneladas.
Além disso, o BB Investimentos elevou o preço-alvo das ações de R$ 68 para R$ 75 no final de 2026, o que representa um potencial de valorização de 4,3% sobre o preço do fechamento de ontem (4). A recomendação de compra foi mantida.
Já a Petrobras (PETR4) tem alta de mais de 1%, na esteira do desempenho do petróleo Brent.
A ponta negativa do Ibovespa é liderada por Azzas 2154 (AZZA3). Mais cedo, o fundo de pensão canadense CPPIB vendeu 10.063.900 papéis, a R$ 27,10 – um deságio de 4,95% sobre o preço de fechamento da última quinta-feira (4), em operação de block trade coordenada pelo Bank of America.
O montante também corresponde a quase 5% de participação acionária na varejista, ainda de acordo com comunicados da agência Bovespa. A transação movimentou um pouco mais de R$ 270 milhões.
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E o dólar?
O dólar opera estabilidade ante as moedas globais, como euro e libra, no nível dos 98 pontos, com a aposta consolidade de continuidade do ciclo de corte nos juros dos Estados Unidos na próxima semana.
Por volta de 13h00 (horário de Brasília), o indicador DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes, estava no zero a zero, aos 98,973 pontos.
Na comparação com o real, o dólar destoa do movimento exterior, apesar da com a expectativa de proximidade da flexibilização da política monetária pelo Banco Central, com o cenário fiscal no radar. No mesmo horário, a divisa norte-americana operava a R$ 5,3771 (+1,26%).