Mercados

Ibovespa pode subir mais 30% após rali eleitoral? BTG vê espaço para novas altas

07 out 2026, 11:44
Brasília (DF), 04/10/2026 - Flávio Bolsonaro (PL) fala com jornalistas após a vitória no primeiro turno das eleições de 2026 sobre seu oponente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O forte rali da Bolsa brasileira após o primeiro turno das eleições pode ainda não ter chegado ao fim. Na avaliação do BTG Pactual, apesar da disparada registrada na segunda-feira (6), o mercado acionário brasileiro segue negociado com desconto em relação à média histórica e ainda tem potencial relevante de valorização.

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O relatório foi divulgado após o Ibovespa (IBOV) avançar 12,7% em dólar no pregão seguinte ao primeiro turno, em meio à percepção de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se tornou o favorito para vencer a disputa presidencial depois de superar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por cerca de 2 pontos percentuais.

Segundo o banco, mesmo após a forte alta, as ações brasileiras, excluindo Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3), são negociadas a 11,1 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, o que representa um desconto de aproximadamente 7% em relação à média histórica.

Para os analistas do banco, ainda há espaço para uma valorização adicional relevante do índice. “Se o Ibovespa avançar para um desvio-padrão acima da média, algo bastante possível considerando a queda das taxas de juros de longo prazo, o potencial de alta poderia chegar a 30%”, considera o BTG.

Próximo gatilho deve vir das pesquisas eleitorais

Apesar da visão construtiva para a Bolsa, o BTG acredita que os ganhos tendem a ocorrer de forma mais gradual nas próximas semanas, uma vez que a corrida presidencial segue em aberto.

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O banco destaca que Lula continua competitivo e pode buscar apoio entre os cerca de 33 milhões de eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno.

Nesse cenário, os levantamentos de intenção de voto para a etapa decisiva da disputa devem ganhar protagonismo.

“Esperamos que o principal gatilho para o Ibovespa nas próximas semanas sejam as pesquisas de intenção de voto para o segundo turno”, afirma o banco.

Na visão da instituição, caso os levantamentos mostrem Flávio Bolsonaro abrindo vantagem de 4 a 5 pontos percentuais, o bom desempenho da Bolsa deve continuar.

Ajuste fiscal será decisivo para sustentar a alta

O BTG ressalta, no entanto, que uma reprecificação mais duradoura dos ativos brasileiros dependerá de fatores que vão além do resultado eleitoral.

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Entre os pontos acompanhados pelos investidores estão a composição do próximo ministério e a apresentação de medidas concretas para conter a expansão fiscal.

“Uma reprecificação sustentada das ações brasileiras dependerá da qualidade do novo gabinete e da eficácia do pacote fiscal”, diz o relatório.

O banco lembra que as taxas reais de juros de longo prazo já recuaram cerca de 100 pontos-base após o primeiro turno e avalia que esse movimento poderia ganhar força caso o mercado enxergue maior compromisso com o equilíbrio das contas públicas.

Nesse ambiente, o Banco Central (BC) teria mais espaço para acelerar o ciclo de cortes da Selic. Atualmente, o Boletim Focus projeta juros de 12% ao fim de 2027, mas o BTG avalia que a taxa poderia migrar para a faixa entre 10% e 11% caso as expectativas de inflação permaneçam comportadas.

Para os estrategistas, uma combinação de juros mais baixos e crescimento econômico mais forte tende a impulsionar os lucros corporativos e prolongar o ciclo de valorização das ações.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.

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