IFI prevê estouro da meta de inflação em 2026 e dificuldade para cumprimento de metas no próximo mandato presidencial
A Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado prevê o estouro da meta de 4,5% de inflação em 2026, com uma alta de 5% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A projeção, divulgada nesta quinta-feira (25) no Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) de junho da IFI, acontece no mesmo dia em que o Banco Central (BC) elevou de 30% para 79% a probabilidade de o teto da meta ser rompido este ano.
O RAF aponta, segundo a instituição, "um cenário preocupante e desafiador para o próximo mandato presidencial, caracterizado por déficits primários anuais permanentes e crescentes, dificuldade de cumprimento das metas fiscais e insuficiência de teto de gastos". O relatório com a revisão de cenários considera as incertezas do choque nos preços do petróleo, derivado dos conflitos no Oriente Médio, e seus impactos.
Também inclui na projeção dos números a implantação efetiva da Reforma Tributária sobre o consumo, com consequências maiores sobre as finanças públicas de estados e municípios e repercussões positivas sobre a eficiência e a produtividade da economia brasileira
Após os 5% estimados para este ano o IPCA deve voltar para a meta nos anos seguintes, com 4%, em 2027, 3,5%, em 2028, e a convergência para o centro da meta inflacionária nos anos posteriores com uma inflação média de 3% ao ano. No período, com a pressão inflacionária, os juros reais permaneceriam altos.
A IFI estima que a Selic encerre em 14% ao ano em 2026, recue para 12%, em 2027, e a taxa de juros deve ficar em torno de 8% no "médio prazo". O RAF aponta um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2%, em 2026, de 1,8%, em 2027, e uma média de 2,3%, nos anos seguintes.
No entanto, segundo o documento, "diretores da instituição destacam que diante das incertezas presentes e da grande volatilidade conjuntural, são construídas perspectivas alternativas ao cenário base, a partir de pressupostos mais pessimistas ou mais otimistas".
O RAF aponta que a receitas primárias líquidas deverão alcançar 18,9% do PIB em 2026, 18,7%, em 2027, caindo para o eixo de 18,3% do PIB, ao longo do horizonte da projeção. A elasticidade receita-PIB deverá cair do atual patamar de 1,4 para 1, ou seja, cada ponto percentual a mais no PIB vai gerar impacto correspondente de 1 ponto percentual na ampliação das receitas.
As despesas primárias devem atingir 19,2% do PIB, em 2026, 19,3%, em 2027, crescendo até 19,9%, em 2032, e acomodando-se no nível médio de 19,4% do PIB, nos anos posteriores.
Com isso, o relatório da IFI aponta a persistência de déficits primários efetivos recorrentes, tendência que acompanha o cenário fiscal brasileiro desde 2014, e a elevação, persistente e forte, da relação entre a dívida do setor público agregado (DBGG) e o PIB, no período de 2026 a 2036.
“Ainda que o desenho da trajetória tenha melhorado em relação às nossas projeções de maio de 2026, o crescimento do endividamento aponta para uma situação que pode se tornar insustentável no médio prazo”, alertam os diretores da IFI, Marcus Pestana e Alexandre Andrade.
A IFI sinaliza que seria necessária a geração de superavit primário de 2,1% do PIB, a cada ano, para a estabilização da relação dívida/PIB. A partir do nível de endividamento bruto de 80,1% do PIB em abril de 2026, o relatório projeta um crescimento da relação dívida/PIB para 82,5%, em 2026, 102,0%, em 2032, chegando a 115% do PIB, em 2036.
“A IFI, em sua perspectiva técnica, neutra, apartidária, sem qualquer viés ideológico ou político, espera contribuir para o debate democrático entre os diversos atores políticos nas eleições de 2026, sobre um dos temas mais importantes para o futuro do país - o equilíbrio fiscal e suas implicações” concluem os diretores da Instituição Fiscal Independente.