Iguatemi, Multiplan e Allos: As diferenças entre as maiores operadoras de shoppings, segundo o BBI
Uma análise do Bradesco BBI comparando as principais operadoras de shopping centers listadas na bolsa mostra que diferenças na qualidade dos portfólios e na capacidade de monetização explicam o valuation distinto entre as companhias.
O estudo avaliou indicadores como vendas por metro quadrado e receita por metro quadrado — métricas usadas para medir a produtividade dos empreendimentos — e concluiu que os ativos, quando vistos individualmente, até apresentam números próximos entre si.
Ainda assim, o desempenho consolidado de cada empresa varia conforme o perfil de suas carteiras.
Iguatemi (IGTI11)
Na visão do BBI, a Iguatemi (IGTI11) desponta com o maior potencial de crescimento de receita. Isso porque a companhia converte uma parcela menor das vendas em aluguel quando comparada aos pares, o que, em tese, abre espaço para expansão futura.
Por outro lado, o banco destaca a forte concentração dos resultados. Os shoppings Iguatemi São Paulo e JK Iguatemi, dois dos 15 ativos da empresa, respondem por cerca de 43% das vendas e 39% da receita total.
Segundo a casa, esses empreendimentos apresentam as melhores métricas do país, com vendas mensais de R$ 9,1 mil por metro quadrado no Iguatemi SP e de R$ 7,1 mil no JK Iguatemi.
Esses valores estão acima dos níveis observados em ativos comparáveis, como o Shopping Morumbi, da Multiplan (R$ 4,6 mil/m²), e o Shopping Leblon, da Allos (R$ 5,3 mil/m²).
“A Iguatemi parece oferecer o maior potencial em termos de receitas, apoiado por uma menor conversão de vendas em renda de aluguel em comparação com seus pares”, afirmou o BBI. “Dito isso, destacamos que o seu portfólio de shoppings com vendas superiores a R$ 1 bilhão está altamente concentrado em grandes varejistas internacionais, que normalmente pagam predominantemente aluguel variável.”
Allos (ALOS3)
No caso da Allos (ALOS3), o principal diferencial, na visão o banco, está na escala. Isso porque a companhia possui 44 empreendimentos — ante 15 da Iguatemi e 20 da Multiplan —, o que garante ampla diversificação geográfica e comercial.
“Essa escala, no entanto, tem maior exposição a ativos de médio porte, com shoppings que geraram menos de R$ 1 bilhão em vendas nos últimos 12 meses representando 58% da receita total (contra 41% da Iguatemi e 27% da Multiplan)”, pontuou a casa.
Multiplan (MULT3)
Já a Multiplan (MULT3) se destaca pela consistência. Isso porque, de acordo com o BBI, 73% do seu portfólio registra vendas anuais superiores a R$ 1 bilhão.
Além disso, a companhia também apresenta distribuição mais equilibrada da densidade de vendas entre os ativos e maior conversão em receita, de 10,5%, ante 9,6% da Allos e 8,6% da Iguatemi — fator que sustenta seu prêmio de valuation.
Em termos de múltiplos, pelas contas do Bradesco BBI, ALOS3 negocia a cerca de 10 vezes o P/FFO [múltiplo de valuation que compara o preço da ação com o fluxo de caixa gerado pelas operações] estimado para 2026, enquanto IGTI11 aparece em 10,4 vezes e a Multiplan, em 12 vezes.