Indústria de fundos de investimento encerra 2025 no azul, com forte demanda por renda fixa
A indústria de fundos de investimento no Brasil fechou 2025 com captação líquida positiva de R$ 88,4 bilhões, de acordo com dados divulgados pela Anbima(Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).
O resultado confirma a trajetória de crescimento do setor, apesar de ficar abaixo do saldo registrado em 2024.
O patrimônio líquido total da indústria atingiu R$ 10,7 trilhões, um crescimento de cerca de 15% frente a 2024, refletindo expansão consistente das aplicações em fundos no país.
No ranking de captação, os fundos de renda fixa foram os maiores protagonistas, acumulando R$ 84,3 bilhões em entradas líquidas ao longo do ano.
Dentro desta classe, os fundos do tipo Duração Livre Crédito Livre — com flexibilidade para alocar parte da carteira em títulos de maior risco — se destacaram, registrando captação líquida de R$ 148,4 bilhões, evidenciando o apetite dos investidores por retornos acima do CDI em ambiente de juros ainda elevados.
Fundos de Investimento em Participações (FIPs) e Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) também tiveram desempenho relevante, com entradas líquidas de R$ 60,1 bilhões e R$ 57,6 bilhões, respectivamente.
Já os ETFs (fundos de índice) somaram R$ 22,9 bilhões, o maior volume desde o início da série histórica da Anbima, em 2002.
Executivos da Anbima destacaram o papel desses produtos como importantes canais de financiamento para a economia real, especialmente diante da ampliação da base de investidores em FIDCs, que cresceu mais de 90% no ano, chegando a mais de 331 mil contas em dezembro de 2025.
No outro lado do balanço, os fundos multimercados registraram o maior volume de resgates líquidos da indústria (R$ 58,9 bilhões), embora esse montante tenha sido significativamente menor do que em 2024, sinalizando uma desaceleração nas retiradas dessa classe.
Já os fundos de ações acumularam saídas de R$ 54,5 bilhões, puxados principalmente por carteiras do tipo livre, sem estratégia de referência específica.
O resultado global de 2025 reflete um perfil mais conservador dos investidores, favorecendo produtos de renda fixa e estruturados diante do atual cenário macroeconômico e do ano eleitoral que se aproxima, segundo analistas da associação.