Inflação encerra 2025 dentro da meta, mas ainda há divergências sobre início de cortes da Selic
A inflação brasileira encerrou 2025 dentro do intervalo de tolerância da meta. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,33% em dezembro, em linha com as expectativas do mercado, e desacelerou para 4,26% no acumulado de 12 meses.
O resultado consolida um desfecho mais benigno para o ano, segundo o Bank of America (BofA), após meses em que as projeções chegaram a apontar inflação acima de 5,5%. No entanto, a dinâmica dos serviços trouxe sinais mistos para a leitura, afirma a XP Investimentos.
A inflação de serviços subjacentes avançou 0,56% no mês e a média móvel trimestral anualizada com ajuste sazonal (3M SAAR) acelerou para 5,1%. Essa aceleração, de acordo com a XP, decorreu da dissipação da queda expressiva observada no seguro de automóveis em setembro.
Também de forma “preocupante”, os serviços intensivos em mão de obra — métrica acompanhada de perto pelo Banco Central — subiram 0,77% e foram para 7,9% em 3M SAAR.
“Esses resultados são consistentes com o quadro de mercado de trabalho aquecido, evidenciado pelos dados do CAGED e da PNAD Contínua”, diz Alexandre Maluf, economista da XP.
Maluf espera que a inflação de serviços desacelere em 2026, ainda que de forma moderada — de 6,0% para 5,3% —, refletindo uma melhora no quadro das expectativas de inflação e impacto defasado da taxa Selic.
Com as métricas de serviços voltando a acelerar na margem, em linha com os dados robustos do mercado de trabalho, a casa afirma que a composição do IPCA de dezembro reforça a visão de que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve flexibilizar a política monetária em março.
O BofA, por outro lado, afirma que parte relevante do repique observado no núcleo e no núcleo de serviços no mês passado é atribuída à sazonalidade de fim de ano.
David Beker e a equipe de economistas do banco, inclusive, avaliam que a inflação segue em uma “trajetória benigna”.
Com isso, a expectativa da casa é de que o ciclo de cortes de juros seja iniciado já na reunião de janeiro, com um ajuste de 0,50 ponto percentual.