Inflação

Inflação menor, preocupação maior? O que acendeu o alerta no IPCA-15 de outubro

23 out 2026, 11:04
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(Imagem: inkdrop/Canva Pro)

A alta de 0,32% do IPCA-15 em outubro, abaixo dos 0,44% esperados pelo mercado, trouxe uma surpresa favorável, mas não afastou a preocupação dos economistas com a inflação. Nas avaliações de XP, ASA e Bradesco, o alívio ficou concentrado nas passagens aéreas, enquanto os componentes mais persistentes do índice continuam pressionados.

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A queda de 9,24% das passagens aéreas foi a principal responsável pelo resultado abaixo das projeções. Ao mesmo tempo, a inflação acumulada em 12 meses avançou de 4,47% para 4,62%, ultrapassando o teto de tolerância da meta, de 4,5%.

“Em suma, o IPCA-15 de outubro veio abaixo do esperado, mas a composição foi claramente pior do que o headline sugere”, afirma Basiliki Litvac, economista da XP.

Segundo ela, a surpresa nas passagens aéreas respondeu por aproximadamente 0,12 ponto percentual da diferença entre o resultado e a projeção da casa, de 0,43%. Por serem voláteis, os preços desses bilhetes oferecem uma sinalização limitada sobre a trajetória mais duradoura da inflação.

Serviços seguem como ponto de atenção

Na avaliação da XP, o principal alerta está nos serviços, especialmente nos segmentos mais dependentes de mão de obra, que continuam refletindo um mercado de trabalho apertado e uma demanda doméstica resistente.

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Embora a inflação de serviços tenha ficado em 0,22% no mês, o núcleo do segmento – uma medida que busca captar a tendência dos preços – avançou 0,45%. Pelos cálculos da instituição, a alta acumulada desse núcleo em 12 meses passou de 5,28% para 5,51%.

Já os serviços intensivos em trabalho subiram 0,55% em outubro, com a variação em 12 meses avançando de 7,29% para 7,43%.

O Bradesco também destaca que, excluindo as passagens aéreas, os serviços aumentaram 0,45%, com a inflação em 12 meses chegando a 5,5%, patamar semelhante ao observado no segundo trimestre.

“A surpresa baixista de outubro é favorável, mas sua concentração em passagens aéreas limita a leitura de melhora do quadro inflacionário no curto prazo”, avalia o banco.

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Para Leonardo Costa, economista do ASA, há uma nuance na leitura dos serviços: parte da aceleração recente do núcleo reflete a volatilidade de itens de recreação, especialmente cinema. Mesmo retirando esses componentes, porém, o processo de desinflação continua lento.

“Quando excluímos esses componentes mais voláteis, observamos uma desaceleração bastante gradual da inflação subjacente de serviços”, afirma Costa. Segundo ele, essa inflação permanece acima de níveis compatíveis com o teto da meta.

Alimentos devem manter pressão nos próximos meses

Os alimentos também ajudam a explicar a cautela dos economistas. A alimentação no domicílio subiu 1,01% em outubro, ante 0,38% em setembro. Embora o resultado tenha ficado abaixo das estimativas das casas, houve aceleração dos preços na comparação mensal.

O Bradesco observa que, na média de três meses ajustada para efeitos sazonais e convertida em taxa anual, a inflação do grupo saltou de 4,2% para 9,6%.

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“Seguimos esperando pressão de alimentação nos próximos meses, refletindo o impacto do El Niño sobre os preços”, afirma a instituição. Nesse cenário, o banco espera que a inflação continue acima do teto de tolerância da meta nos próximos meses.

Entre os sinais mais favoráveis, a XP destaca a melhora dos bens industriais subjacentes, cuja medida trimestral anualizada e dessazonalizada recuou de 2,07% para 1,80%. O movimento, contudo, não foi suficiente para compensar a piora das demais medidas de tendência.

Surpresa não muda projeções anuais

O resultado de outubro deve levar o ASA a reduzir sua projeção para o IPCA do mês, atualmente em 0,38%. A estimativa para o fechamento de 2026, porém, permanece em 5,1%.

A XP também manteve suas projeções de 5,1% para este ano e 4,4% para 2027. Apesar da pressão inflacionária, a instituição ainda espera que o Banco Central continue reduzindo a Selic, diante dos sinais de enfraquecimento da atividade econômica.

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“Esperamos que o Copom siga cortando juros, à medida que os dados de atividade econômica continuam enfraquecendo, ainda que a inflação de curto prazo deva seguir pressionada”, afirma Litvac.

O cenário da XP prevê Selic de 13,25% no fim de 2026 e de 11,50% no encerramento de 2027. O Bradesco também vê na desaceleração da economia um fator que deve contribuir para a redução da inflação à frente.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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