Inteligência Artificial

Inteligência Artificial começa a prescrever remédios nos Estados Unidos. Isso vai funcionar?

08 jan 2026, 8:26 - atualizado em 08 jan 2026, 8:26
Agente de inteligência artificial (IA)
Agente de inteligência artificial (IA) (Imagem: gerado por IA - Qwen)

Durante décadas, a linha foi simples: os estados regulam a prática da medicina; o governo federal, por meio da FDA, regula dispositivos médicos. Só que a inteligência artificial (IA) bagunçou o esquema. 

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Como resumiu Zach Boyd, diretor do Escritório de Políticas de IA de Utah, ao portal norte-americano POLITICO, agora existem sistemas que “talvez possamos chamar de dispositivos”, mas que alegam praticar medicina. 

E é justamente nessa zona cinzenta que os primeiros testes oficiais de uso das IAs para prescrições médicas acontecem.  

Utah dá sinal verde para a IA entrar na receita 

O Utah anunciou uma parceria inédita entre o Escritório de Políticas de Inteligência Artificial de Utah e a Doctronic, plataforma de saúde baseada em inteligência artificial, informa o POLITICO. 

Trata-se do primeiro programa aprovado por um estado nos Estados Unidos (EUA) que autoriza esse tipo de tomada de decisão médica assistida por IA, dentro de um ambiente regulatório experimental.  

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Não se trata de diagnósticos complexos ou de substituir médicos. O foco está em pacientes com doenças crônicas, que precisam renovar receitas de forma recorrente.  

Por que começar pelas renovações

A escolha não é aleatória. De acordo com o comunicado de Utah, aproximadamente 80% da atividade relacionada a medicamentos envolve renovação de receitas, e a falha nesse processo — a chamada não adesão ao tratamento — é um dos maiores gargalos do sistema de saúde. 

Segundo estimativas citadas pelos responsáveis pelo projeto, a interrupção de medicamentos gera mais de US$ 100 bilhões por ano em gastos médicos evitáveis. 

A promessa da IA é atacar justamente esse ponto: reduzir atrasos, evitar doses perdidas e impedir que pacientes fiquem sem remédios por pura burocracia.  

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O que a IA pode e o que não pode fazer

No modelo adotado por Utah, a IA da Doctronic pode renovar prescrições já existentes, dentro de critérios clínicos definidos e com supervisão humana.  

“É um princípio de médico, não dispositivo”, resumiu o senador estadual Kirk Cullimore, patrocinador da legislação que criou o ambiente regulatório experimental, ao portal POLITICO. A automação, segundo ele, deve apoiar (e não substituir) o julgamento humano. 

Um laboratório regulatório a céu aberto

Utah aposta em um modelo conhecido como AI Sandbox: flexibilizações regulatórias temporárias que permitem testar novas tecnologias em setores altamente regulados, como saúde. 

A lógica é simples: testar primeiro, medir resultados depois e só então escalar. Outros estados já observam de perto. Arizona e Texas criaram ambientes semelhantes, e Wyoming prepara o seu próprio.  

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O objetivo comum é encontrar caminhos seguros para a IA autônoma sem abrir mão da proteção ao consumidor.  

O papel do FDA e o nó regulatório

Aqui está o ponto sensível. Enquanto estados regulam a prática médica, o Food and Drug Administration (FDA) regula dispositivos. Mas sistemas de IA que tomam decisões clínicas não cabem perfeitamente em nenhuma dessas caixas.  

Por ora, Utah decidiu “cuidar da sua parte”, como disse Boyd, deixando para o FDA a definição do que é ou não um dispositivo médico nesse novo cenário. É um arranjo pragmático, mas provisório.  

O que será medido pela IA

O projeto-piloto vai monitorar:  

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  • segurança clínica; 
  • adesão à renovação de medicamentos;  
  • acesso e satisfação dos pacientes;  
  • eficiência do fluxo de trabalho médico; 
  • impacto nos custos de saúde.  

Os resultados serão divulgados publicamente, com a ambição declarada de influenciar políticas estaduais e federais. 

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Jornalista com pós-graduação em Literatura, Artes e Filosofia. Atua como repórter nos portais de notícias Money Times e Seu Dinheiro, onde também já trabalhou como Analista de SEO.
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