Coluna
Rota do Crédito Privado

Investidores mudaram o jogo: Por que FIDCs deixaram ações para trás

19 fev 2026, 8:40 - atualizado em 19 fev 2026, 8:52
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Os FIDCs registraram crescimento recorde em 2025, deixando fundos de ações para trás e atraindo investidores em busca de retornos ligados à economia real. (Imagem: iStock/Edson Souza)

A indústria de fundos de investimento no Brasil registrou em 2025 uma mudança significativa na alocação de recursos, com redução na participação de fundos de ações e multimercados em favor de veículos de crédito estruturado.

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Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) encerraram dezembro de 2025 com um patrimônio líquido de R$ 734,8 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA).

Esse montante coloca a classe acima do volume total aplicado em fundos de ações, marcando um novo patamar na composição do mercado de capitais nacional.

A análise dos fluxos financeiros indica que a migração de recursos vai além de ajustes conjunturais relacionados a taxas de juros ou desempenho momentâneo das diferentes classes de fundos. Trata-se de uma mudança estrutural na captação de recursos pelas empresas e na alocação de risco pelos investidores.

Em 2025, os FIDCs registraram captação líquida de R$ 61,4 bilhões, enquanto o número de cotistas cresceu 114,6%, passando de 172 mil em janeiro para 369 mil em dezembro.

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O principal motor desse crescimento foi a modernização do arcabouço regulatório, em especial a Resolução 175 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que revisou regras de funcionamento e responsabilidades dos prestadores de serviço e abriu o acesso a investidores de varejo — antes restrito a investidores qualificados.

A democratização do acesso trouxe investidores individuais em busca de ativos com lastro na economia real e fluxos de pagamentos previsíveis.

Nos FIDCs, o fundo adquire direitos creditórios lastreados em diversas operações, como duplicatas, recebíveis de cartões, aluguéis, CPRs, CCBs e contratos de fornecimento. Esse mecanismo transfere o risco de crédito da empresa originadora para a estrutura do fundo, que é segmentada em cotas com diferentes níveis de subordinação.

As cotas seniores oferecem prioridade nos recebimentos e menor exposição à inadimplência, enquanto as cotas subordinadas absorvem as primeiras perdas (“first loss”). Essa engenharia financeira permite que empresas de diferentes setores obtenham financiamento fora do sistema bancário tradicional, reduzindo custos de intermediação e viabilizando crédito para as mais diversas finalidades.

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A migração de capital para o crédito privado estruturado reflete maior maturidade na avaliação de risco pelos investidores. Enquanto fundos multimercados e de ações dependem da variação de preços de ativos e de estratégias de gestão em mercados voláteis, os FIDCs se baseiam na solvência de cadeias produtivas e em operações de crédito diversificadas.

O crescimento do patrimônio líquido para R$ 734,8 bilhões indica que tanto investidores institucionais quanto de varejo veem nesses veículos uma alternativa de retorno ligada a setores como varejo, agronegócio e indústria.

O cenário de 2025 reforça a consolidação do mercado de capitais como fonte de liquidez para a economia. A expansão da base de cotistas e o aumento do volume de recursos sob gestão nos FIDCs estabelecem um novo patamar de concorrência para o setor bancário.

A tendência é que esses fundos mantenham relevância na carteira dos brasileiros, graças à estrutura de garantias e à diversificação de cedentes e sacados, que proporcionam relação risco-retorno menos atrelada às oscilações do mercado acionário.

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O fechamento de 2025 confirma que os recursos não apenas saíram de produtos tradicionais, mas encontraram destino em estruturas que financiam diretamente a atividade empresarial. O recorde no patrimônio líquido dos FIDCs reforça a transição do mercado de investimentos de ativos especulativos para direitos creditórios e financiamento da produção.

 

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Fundador e diretor-presidente da Ouro Preto Investimentos
João Baptista Peixoto Neto é graduado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, cursou mestrado em Direito Internacional na USP e é especialista em produtos financeiros e gestão de riscos pela FIA/FEA/USP. Nos anos de 2006 a 2019, esteve entre os primeiros colocados na categoria de estruturação de fundos de recebíveis no Brasil FIDC’s pelo ranking da empresa UQBAR, tendo sido responsável pela estruturação de mais de 300 fundos. Faz parte dos Comitês da Anbima de FII e FIDC.
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João Baptista Peixoto Neto é graduado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, cursou mestrado em Direito Internacional na USP e é especialista em produtos financeiros e gestão de riscos pela FIA/FEA/USP. Nos anos de 2006 a 2019, esteve entre os primeiros colocados na categoria de estruturação de fundos de recebíveis no Brasil FIDC’s pelo ranking da empresa UQBAR, tendo sido responsável pela estruturação de mais de 300 fundos. Faz parte dos Comitês da Anbima de FII e FIDC.
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