Inflação

IPCA-15 de março traz altas inesperadas em itens voláteis; economistas preparam revisões para a inflação de 2026 com Oriente Médio no radar

26 mar 2026, 12:56 - atualizado em 26 mar 2026, 13:07
Real inflação câmbio pib fiscal dívida
(Imagem: iStock/IltonRogerio)

A prévia da inflação de março, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), desacelerou de 0,84% em fevereiro para 0,44% em março, acima das expectativas do mercado, de alta de 0,29%, segundo pesquisa Projeções Broadcast. Em 12 meses, o IPCA-15 acumulou alta de 3,9%.

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Segundo economistas consultados pelo Money Times, as surpresas altistas da leitura partiram de itens considerados mais voláteis, como alimentos e passagens aéreas.

Apesar da desaceleração tanto na margem quanto no acumulado em 12 meses da inflação nos principais núcleos, os especialistas chamam a atenção para a resiliência inflacionária e os riscos altistas decorrentes do conflito no Oriente Médio.

As estimativas para o IPCA de 2026 do mercado devem ser elevadas nos próximos dias ao incorporar a dinâmica recente dos preços do petróleo.

Quadro inflacionário não é ‘tranquilo’

O economista do Banco BV Carlos Lopes aponta que o item de passagens aéreas trouxe uma surpresa altista 0,10 ponto percentual para o IPCA-15. Segundo ele, era esperada uma devolução do item, após alta de 11% na prévia da inflação de fevereiro.

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Além disso, apesar da desaceleração dos núcleos na margem, o economista não considera o quadro inflacionário como “tranquilo” e ressalta que a inflação segue rodando próxima de 4% no acumulado em 12 meses.

“É uma inflação que desacelera, mas segue qualitativamente preocupante por mostrar resiliência, o que impõe certa cautela ao Banco Central”, diz.

Ao olhar para os preços livres, que incluem alimentos, bens industriais e serviços, os serviços são mais resilientes, porque respondem ao mercado de trabalho. Já alimentos e bens são bem mais voláteis, explica Lopes. “Somos mais suscetíveis a choques devido à inflação de serviços elevada e à pressão em alimentos e bens no curto prazo”, acrescenta.

Mesmo com a inflação de bens industriais e alimentos no acumulado em 12 meses em 2%, os números podem ganhar tração, caso o choque persista, observa.

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À frente, a expectativa do economista é de que a gasolina apresente um repasse maior no IPCA de março. A estimativa preliminar do BV para a inflação do mês é de 0,69%.

Já a projeção para o IPCA do ano, de alta de 4,1%, deve ser revisada para 4,5%, incorporando parcialmente os impactos do choque do petróleo, afirma Lopes.

Deterioração adicional na inflação

Na avaliação do economista da XP Investimentos Alexandre Maluf as principais surpresas altistas vieram de componentes voláteis, como alimentos e passagens aéreas.

A corretora espera, porém, deterioração adicional do cenário inflacionário de curto prazo, impulsionada pelos efeitos do conflito no Oriente Médio.

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“Dado que parte dos impactos da guerra tende a ser persistente para a inflação, estamos próximos de revisar nosso cenário inflacionário, especialmente para 2026, atualmente em 3,8%. Hoje, nossos modelos apontam para inflação próxima de 4,3%, mesmo sob a hipótese de término do conflito e estabilização do petróleo em média de US$ 80 o barril ao longo do ano”, detalha Maluf.

IPCA-15 acima do esperado é relevante

O UBS Wealth Management, em relatório, classificou como um “evento relevante” o IPCA-15 de março vir acima do esperado, especialmente em uma semana que o Banco Central iniciou o ciclo de afrouxamento monetário, diante de grande choque de oferta, com alta nos preços de combustíveis e alimentação.

Segundo o banco, com preços voláteis pressionados — e choques em voláteis tendem a contaminar de forma persistente os núcleos de inflação — e o núcleo de serviços já próximo de 6%, a inflação tende a permanecer desconfortavelmente alta no horizonte à frente.

Além disso, o movimento de revisões altistas para a inflação no Focus deve se intensificar nas próximas semanas, destaca o UBS WM.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
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